OPINIÃO Crise no DF: Somos todos perdedores

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Por Ricardo Callado

Ninguém ganha com a crise instalada no Governo do Distrito Federal. Nem quem está no poder, tampouco a oposição. A economia vai mal. Alguns serviços essenciais à população estão paralisados. Ou funcionando meia bomba.

O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) não tem um dia de paz. Desde que assumiu o Palácio do Buriti, só gerencia confusão. Os motivos são vários. Desde a falência financeira do GDF, passando por uma equipe fraca, até a falta de criatividade para solução dos problemas.

O governo do DF passa pela maior crise de sua história. E essa bomba caiu no colo de Rollemberg. Claro que a população vai cobrar. Afinal, na campanha se aponta soluções para tudo. Quando assumiu, veio o choque de realidade.

Não adianta inventar. Nem ouvir ideólogos do caos. O governador precisa fazer o feijão com arroz. Assumir e cumprir compromissos. E responsabilidades.

A crise vai desgastar politicamente o governador ao máximo. Serão pelo menos 15 meses até Rollemberg conseguir respirar e colocar o caixa em ordem. O próximo ano não deve ser diferente de 2015. Inclusive, pode ser pior.

Quando sair do outro lado do túnel, Rollemberg corre o risco de estar eleitoralmente morto. Se conseguir resolver o problema financeiro do governo, pode ser reconhecido pelo menos por isso. Se conseguir se comunicar de forma correta. Claro que isso pode ser resolvido. Mas aí precisaria que o governo mude seus métodos.

Rollemberg não tem um plano de gerenciamento de imagem. Nem a sua, nem a do governo. Não sabe se comunicar. Tem medo. Ou a arrogância dos idiotas. E por isso vai muito mal. Quem deveria fazer, estimula o ódio, cisca para fora. As amarras da campanha ainda valem mais do que o bom senso.

Se o governo chegar em 2018 ainda falido, muitos adversários podem perder o estímulo de disputar o Buriti. Nenhum opositor vai querer facilitar a vida de quem está no poder. Mas, complicar ainda mais é burrice. Não é o momento de criar dificuldades. Afinal, em 2019, se o governo trocar de mãos, quem assumir pode viver dias de Rollemberg.

Além disso, o governo fraco financeiramente causa efeitos na economia. A crise econômica nacional se soma com a crise local. Serão menos empregos. O dinheiro vai ficar mais curto, o consumo em queda. A arrecadação, menor. Vai sobrar para todo mundo.

O serviço público precisa e deve ser valorizado. Seus direitos, garantidos. O confronto com os servidores e seus sindicatos não é uma forma inteligente de enfrentar a situação. Quem aconselha o governador a agir desta maneira devia ser internado. É caso de psiquiatria.

As relações institucionais, seja com a Câmara ou entidades sindicais, devem ser pautadas pelo respeito mútuo. Sem radicalismo de ambos os lados. E isso é possível. Ninguém pretende inviabilizar o governo. Isso já está sendo feito pelos seus próprios integrantes e sócio-político. O que se quer é a normalidade. Os professores na sala de aula, os médicos em seus consultórios e os compromissos salarias cumpridos.

Rollemberg pode pagar um preço muito alto pelas suas escolhas. Pelos seus aconselhamentos. Não existe nada que possa piorar. Também é possível mudar a postura e melhorar. O feijão com arroz é um começo.

E faça aliados, governador, principalmente com a sociedade, pois é essa a que mais sofre com a paralisa do governo. Somos todos perdedores, mas a população é ainda mais. E, em 2018, tudo isso vai pesar na escolha um novo governo ou para renovar o que está aí.

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