OPINIÃO A incompetência já destruiu mais políticos que a desonestidade

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Por Ricardo Callado

Incompetência e desonestidade não caem bem em qualquer governante. Quando pelo menos uma das duas características chega ao poder, pode-se esperar o pior. O prejuízo a sociedade é enorme. Mas no nosso país, de tantos valores distorcidos, coisas absurdas acontecem.

A incompetência, acredite, já destruiu mais políticos que a desonestidade. O incompetente quase nunca tem uma segunda chance na política. Suas carreiras são destruídas facilmente. E quando se mistura com a desonestidade, é caixão e vela preta. Eleitoralmente liquidado. E não deve ser diferente. Temos exemplos recentes na política brasiliense.

O absurdo é o segundo caso. Muitos políticos desonestos ganham uma segunda chance. Às vezes uma terceira, quarta. São perdoados facilmente por parte do eleitor, que forma uma maioria. O povo é mais complacente com quem rouba, do que com quem não faz. Um festival de fichas sujas arrotando moralidade. E saqueando os cofres públicos. Temos exemplos recentes na política brasiliense.

O desonesto deve ser banido da política assim como o incompetente. Deve-se mudar a cultura de perdoar os deslizes dos governantes e de parlamentares que se lambuzam com o dinheiro público. Mas, ao contrário, alguns viram heróis.

Não é fácil banir um político envolvido em corrupção. Alguns se perpetuam no poder. O caso do ex-presidente Fernando Collor, por exemplo. Recebeu o impeachment e no retorno a política Alagoas já lhe deu um segundo mandato de senador. Resultado: está envolvido novamente em escândalo. Assim acontece como outros nomes como Renan Calheiros e Antônio Palocci.

O Distrito Federal, assim como outras unidades da Federação, não é diferente. Conseguimos nos livrar dos incompetentes, mas os desonestos continuam com um bom potencial eleitoral. Não é à toa que as mais recentes eleições foram judicializadas.

O que a história ensina é que os governos e as pessoas nunca aprendem com a história. E não há nada pior que um burro com iniciativa. Precisamos virar essa página e começar uma nova política.

Não é nada fácil governar o Distrito Federal. Mas também não é muito difícil. Estamos num momento em que todos se olham e se perguntam: qual é o rumo? Rodrigo Rollemberg precisa definir o rumo que quer dar. E falar isso diretamente a sociedade. Política é olho no olho.

Me arrisco a dar alguns conselhos ao governador. Um deles é que se livre das amarras. Seja mais independente e confie no seu instinto. Não terceirize o poder. Nem o ato de governar para radicais da discórdia. Trabalhe e acredite muito na sorte. Quanto mais trabalhar mais a sorte vai lhe sorri. E veja as coisas pelo lado bom. A comunicação, feita de forma certa, ajuda muito.

Existe duas crises no governo. A financeira e a política. Para sair da primeira o governo vem fazendo a sua parte, criando mecanismo de arrecadação e de contenção de gastos. Para sair da segunda, só tem um jeito: se a crise é política, faça política. A boa política. Mas o governo tem amarras que impedem um avanço nesse campo.

Governador, aproveite o tempo de aparente calmaria. A hora certa de consertar o telhado é quando faz sol. E se distancie da incompetência e da desonestidade.

 

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