Ao que tudo indica, o hoje Ministro, parece nunca ter procurado entender a gênese da capital de todos os brasileiros. Depreende-se de suas palavras, tratar-se de um turista ocasional, que apenas despacha na Esplanada dos Ministérios, sem ter, algum dia, estreado seus sapatos fora dela. Muitos dos projetos do governo federal são lançados e /ou testados em regiões carentes do DF.
Tampouco parece entender e/ou conhecer da história ou da geografia da capital federal. Prestamos-lhe então esse serviço: dados do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal, de 2021, apontam que 54,1% dos moradores do DF vieram de estados do Nordeste. Ao todo, são 480.472 nordestinos na capital, sendo baianos, maranhenses, piauienses e cearenses a maioria.
Quem mora, passeia ou vem ao DF a trabalho já se acostumou a ser parado por pedintes em semáforos, ou à entrada de restaurantes para todos os bolsos. Como aliás acontece em qualquer capital do país. Quem não passou por isso, deve, esse sim, viver numa redoma de vidro ou ter criado para si uma “ilha da fantasia”.
Com população estimada pelo IBGE em 2021 em 3.094.325 pessoas, o DF possui cinco cidades/regiões administrativas que concentram 48,4% da população em situação de extrema pobreza. De acordo com informações da Secretaria de Desenvolvimento Social, a capital federal possui 77.447 famílias que sobrevivem com renda per capita abaixo de R$ 89 mensais. Desses, 37.320 moram em Ceilândia, Planaltina, Samambaia, Taguatinga e Brazlândia. Somando todas as faixas da pobreza, no DF residem 160.937 famílias em situação de risco.
Em termos de história, segundo o censo experimental do IBGE, a população brasiliense em 1959 era formada por 23% de goianos, 20,3% de mineiros, 13,5% de baianos, 6,3% de pernambucanos, 6,1% de paraibanos, 5,3% de paulistas, 4,6% de piauienses, entre outros.
O arquiteto Lúcio Costa pode ser considerado, sem medo de errar, o inventor de Brasília na forma que conhecemos hoje. A mãe era amazonense, e o pai, baiano…
Tal desrespeito do ministro é, também, de certa forma, menosprezo aos liames criados com sangue, suor, amor e lágrimas dos baianos para com o DF. Contudo, sabemos que tal fala abjeta não representa nem aos baianos, tampouco a posição do governo federal em relação à Brasília.
Chama a atenção o despreparo de um ministro da Casa Civil que desrespeita a liturgia do cargo que ocupa e destila ódio a um lugar que deveria respeitar. Falar sem dados ou de maneira leviana é incompatível com qualquer cargo público.
Muitos escritores que integram nossa entidade nasceram e/ou são filhos de baianos e também expressaram seu descontentamento com a fala do conterrâneo.
Dito isso, finalizamos dizendo que vamos aderir à campanha “O DF É DA GENTE”, da OAB-DF e que estaremos juntos na noite desta terça-feira,6, no encontro de desagravo que será realizado na sede daquela entidade.
Brasília merece respeito! E esse princípio, caro ministro, é inegociável!
Brasília-DF, 05 de junho de 2023




