Presidente petista deve descartar Cappelli como nome da esquerda para o GDF, enquanto namora Arruda e flerta com figuras como Grass, Kokay e Leila do Vôlei articulando alianças por puro oportunismo político

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vê com bons olhos o nome do ex-governador José Roberto Arruda como seu candidato ao Governo do Distrito Federal em 2026. Para isso, o próximo passo será descartar e desidratar e já minguada pretensão de Ricardo Cappelli (PSB), presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), como candidato da oposição.
A manobra de Lula é arriscada e falta combinar com o eleitor brasiliense, que desaprova o petista e ainda lembra dos escândalos da Operação Caixa de Pandora que afastou Arruda do governo e o levou a prisão por uma série de crimes, entre eles de corrupção.

O caso Pandora que derrubou Arruda se transformou em livro. A história é a mais procurada por estudante de jornalismo e ciências políticas das faculdades do DF que procuram entender um dos maiores mecanismo de corrupção registrado na história governamental do DF.
A união Lula-Arruda não é uma operação de soma e sim de subtração. Tira mais votos do que agrega. O que já era ruim para a oposição, vai ficar desastroso. Será um saco de gatos onde os miares serão conflitantes e ninguém conseguiria se entender. Puro oportunismo político para tentar tomar de assalto o Palácio do Buriti.
Para oposição o vale tudo tudo faz parte e montar até uma chapa Frankenstein é válido para tentar enfrentar a base do governador Ibaneis Rocha (MDB), liderada pela vice-governadora Celina Leão (PP), que desponta como favorita nas pesquisas e de Michelle Bolsonaro (PL) que virá ao Senado junto com Ibaneis.
Cappelli, que é um novato em Brasília e ainda nem aprendeu a andar direito no DF, não tem conseguido entender que está acontecendo. O ex-interventor federal no DF em 2023 e aliado de Rollemberg, era visto como o nome mais viável da esquerda para enfrentar a centro-direita no Buriti. Mas por desconhecer a história política do DF, não sabe por exemplo que a administração do governo Arruda foi elogiada até por José Dirceu, em uma entrevista a este jornalista. E da proximidade de Arruda com figuras do PT.
Lula enfrenta 59,7% de desaprovação, segundo Paraná Pesquisas de agosto. No entanto, articulações na esquerda geram controvérsias: uma reunião em maio de 2025 entre a senadora Leila do Vôlei (PDT), o ex-deputado distrital Leandro Grass (atual presidente do Iphan) e a deputada federal Erika Kokay (PT) excluiu Cappelli, descrito como “forasteiro” por fontes locais, sinalizando resistências internas. Grass, que se aproximou do PT após anos de REDE e PV, é cotado como pré-candidato em uma possível coligação de Lula, enquanto Kokay e Leila do Vôlei, iriam ao Senado.
Rollemberg, que rompeu com Leila após as eleições de 2018 mas ensaiou reaproximação em novembro de 2024, prioriza Cappelli, mas especulações apontam para uma chapa mista que poderia incluir nomes como Grass para o Senado ou Buriti. A senadora Leila, presidente do PDT-DF, enfrenta desafios para se reeleger, com pesquisas como Real Time Big Data de setembro de 2025 a colocando em terceiro para o Senado, atrás de Michelle Bolsonaro (PL) e Ibaneis Rocha (MDB).
A possível inclusão de José Roberto Arruda (PL), ex-governador cassado em 2010 pela Operação Caixa de Pandora, complica o cenário. Arruda, inelegível até recentemente, pode se habilitar para 2026 após aprovação no Senado de mudança na Lei da Ficha Limpa (PLP 192/2023), que reduz prazos de inelegibilidade para oito anos, com teto de 12.
O texto, aprovado em setembro de 2025, aguarda sanção de Lula, que pode decidir o futuro político de Arruda.
Arruda tem histórico de aliança com Lula nos anos 2000, realiza campanha silenciosa pelo DF, mas sua reabilitação é criticada como oportunista pela oposição.
A estratégia de Lula para o DF, com Arruda como cabeça de chapa e possíveis alianças com Grass, Kokay, Rollemberg e Leila, visa contrabalançar o favoritismo de Celina, mas enfrenta rejeição: eleitores veem a mistura de nomes como “pirão oportunista”, especialmente com Arruda no horizonte. A CPMI do INSS, que investiga fraudes de R$ 6,3 bilhões e envolve Kokay e Leila em acusações de obstrução, pode prejudicar a esquerda. Rollemberg, que planeja candidatura a deputado federal após revisão do STF, reforça o apoio a Cappelli, mas admite desafios em um DF inclinado à direita.



