Pesquisa mostra que mais de 100 mil pessoas com 60 anos ou mais estão economicamente ativas no DF
Brasília, 22 de outubro de 2025 — O número de idosos no Distrito Federal continua crescendo e ganhando espaço na economia local. Dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-DF), elaborada pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do DF (IPEDF) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), revelam que, entre 2023 e 2024, a população com 60 anos ou mais representava pouco mais de um quinto dos habitantes em idade ativa, somando cerca de 523 mil pessoas. Deste total, 20% estão inseridos no mercado de trabalho, o equivalente a aproximadamente 105 mil idosos.
O levantamento aponta que a participação da população idosa na força de trabalho subiu de 19,1% para 20% em relação ao período anterior, impulsionada pela maior longevidade e pelo crescimento das oportunidades voltadas a essa faixa etária.
De acordo com a pesquisa, os idosos ocupados se concentram principalmente no setor de serviços, responsável por mais de dois terços das vagas, seguido do comércio e reparação (16,2%). A construção civil e a indústria de transformação também registram presença relevante, com cerca de 6% cada.
O estudo mostra ainda que 47,6% dos idosos ocupados são assalariados, divididos entre o setor público (22,8%) e o privado (24,8%). Outros 29,9% trabalham por conta própria, enquanto 7,8% são empregadores. O nível de ocupação dessa população cresceu 9% entre 2022 e 2024, com destaque para os setores de comércio (alta de 23,1%) e serviços (8,1%).
As mulheres representam 60,2% do total de idosos no DF, embora os homens predominem entre os economicamente ativos (57,4%). Entre os inativos, que somam 418 mil pessoas, a aposentadoria (69,9%) é o principal motivo para não trabalhar, seguida por afazeres domésticos (13,8%) e outras atividades não laborais (15,5%). A maioria (85,9%) já teve experiência profissional, e 72% deixaram o último emprego há mais de cinco anos.
A jornada média semanal dos idosos que trabalham é de 39 horas, com rendimento médio de R$ 5.778. Já entre os inativos, as aposentadorias têm valor médio de R$ 5.476, e as pensões, de R$ 3.819.
Para Lucia Garcia, técnica e economista do Dieese, o resultado reflete um fenômeno social relevante:
“A PED retrata um aspecto importante da realidade brasileira — os idosos continuam integrados à estrutura produtiva, seja por necessidade de renda, seja pelo desejo de manter participação social. Essa presença crescente exige políticas públicas e adaptações nos espaços de trabalho”, avaliou.






