Reflexões políticas e sobre minorias marcaram os dez dias da mostra
Por Luciano Nascimento
Ontem (22), o último dia da mostra competitiva foi marcado por diversas produções que abordaram temática LGBT+. Entre elas, o filme Bixa Travesty, de Kiko Goifman e Claudia Priscilla, sobre a artista Linn da Quebrada. Construído com base em shows de Linn, imagens de arquivo e momentos mais intimistas, o filme traz reflexões sobre questões acerca do corpo não-binário. A película tem a participação musical de Jup do Bairro, Liniker, Raquel Virgínia e Assucena Assucena, da banda Bahias e a Cozinha Mineira.
Também foram apresentados o curta pernambucano de ficção Reforma, que retratou relações homoafetivas entre homens. Outra produção, BR3, mostrou travestis na favela da Maré.
Debate político
O debate político também esteve presente em um documentário de forte impacto. Realizado por Susanna Lira, Torre das Donzelas aborda, com relatos inéditos, as sessões de torturas sofridas pela ex-presidente Dilma Rousseff e suas ex-companheiras de cela do Presídio Tiradentes, em São Paulo.
Torre das Donzelas é o nome dado ao conjunto de celas femininas do presídio. O filme remonta, a partir de fragmentos de lembranças de cada uma delas, as situações vividas na prisão na década de 1970. Nesse cenário, elas se reencontram 45 anos depois para romper com o silêncio e o medo de relatar os horrores de viver sob uma ditadura.
Outro registro sobre a situação vivida pelo país está no documentário Bloqueio, de Victória Álvares e Quentin Delaroche, que retrata a greve dos caminhoneiros, ocorrida em maio deste ano e que paralisou o país, mergulhado em uma crise política e econômica.
Não foi apenas nas telas que o teor político do festival se fez presente. Destaque para a presença de mulheres na direção de seis dos nove longas que concorreram ao prêmio principal. Além da participação de negros e mulheres nos júris e nas comissões que selecionam os filmes.
Descentralização
Este ano, além das atividades no Plano Piloto, as atividades do festival chegaram a 13 regiões administrativas do Distrito Federal. Os filmes selecionados para a mostra competitiva foram exibidos em sessões simultâneas em São Sebastião, no Riacho Fundo, em Sobradinho e em Taguatinga.
Atividades formativas, como oficinas foram realizadas nas cidades de Planaltina, Guará, Recanto das Emas, São Sebastião e Ceilândia, onde Maíra Carvalho, diretora de arte do filme O Último Cine Drive-In, ministrou a oficina Laboratório de Direção de Arte. A formação propôs um passeio sobre métodos, linhas, processos e percursos possíveis da criação na direção de arte de projetos audiovisuais de ficção.




