Falta de afinidade do GDF com a Câmara não é culpa das relações institucionais do governo

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Por Fred Lima

Desde que sentou na cadeira de governador, Rodrigo Rollemberg, que se elegeu com o apoio de vários partidos e deputados distritais eleitos, passou a negar a política que o fez vencer a eleição. Conversas nos bastidores identificam que tudo está relacionado ao conselho político do governador, que o orienta a manter certo distanciamento dos deputados distritais e uma independência excessiva entre os poderes.

Na teoria, todos os poderes são independentes, não apenas no DF, mas em todo o Brasil, incluindo o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional. Na prática, a história é bem diferente. Podem ser os prejuízos do presidencialismo, que institui a independência entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, mas estabelece que o primeiro poder (Executivo) necessita de apoio do segundo (Legislativo) para ver os seus projetos serem aprovados. É óbvio que haveria moeda de troca.

No caso de Rollemberg, existe um conceito no governo de demonização da Câmara Legislativa. Sem nenhum deputado de seu partido até a posse de Roosevelt Vilela, em outubro passado, o governador, necessitando como nunca de apoio para aprovar os projetos polêmicos de ajuste fiscal, prefere sustentar parte da cultura apregoada por um auxiliar, que saiu do Buriti disparando contra o legislativo local e seus agentes. As más línguas dizem que ele, agora conselheiro político do governo, continua aconselhando Rollemberg a peitar os distritais.

Em entrevista concedida ao jornalista Kennedy Alencar, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sempre foi criticado por este blogueiro, disse uma verdade: “Quem nega a política traz resultados desastrosos para o seu governo”. E é verdade, pelo menos se tratando do presidencialismo. O maior exemplo é o ex-presidente Fernando Collor.

Então quer dizer que todo presidente e governador deveria ceder às birras de deputados e senadores? Não. Uma coisa é chantagem. Outra é dialogar e respeitar as instituições. No que se refere ao governador do DF, sua indiferença com a Câmara foi notória em alguns momentos, assim como é visível seu afastamento da imprensa local, pelo menos em se tratando da Nova Mídia, ou seja, os blogs políticos.

Não adianta trocar Marcos Dantas por Igor Tokarski. Nem Igor por Zé Flávio. Se o conceito de afastamento permanecer, a culpa não será dos secretários de relações institucionais do Governo de Brasília, mas de quem define as políticas de relação entre o Buriti e a CLDF. Nesse caso, Rollemberg e seu conselho político.

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