Foram encontrados produtos como cafeteira, cápsulas de café, chocolate e massa importada. Advogado não quis comentar caso. Secretaria diz que apura situação
Por Mara Puljiz e Gabriel Luiz, TV Globo e G1 DF – A Justiça do Distrito Federal determinou que o ex-senador Luiz Estevão fique em uma solitária no Complexo da Papuda por “falta disciplinar”. Uma revista na cela do empresário e na cantina do bloco encontrou “diversos itens proibidos, tais como cafeteira, cápsulas de café, chocolate, massa importada, dentre outros”.
A defesa de Luiz Estevão disse que não iria comentar a decisão da Vara de Execuções Penais (VEP). No processo, a defesa afirmou que não foi encontrado “nada de relevante”. A Secretaria de Segurança Pública diz que a apura a situação. O caso chegou à Justiça após denúncia anônima.
“Tendo em vista a falta disciplinar imputada ao interno, foi determinado, pelo Coordenador-Geral da Sesipe [Subsecretaria do Sistema Penitenciário], seu encaminhamento ao Pavilhão Disciplinar, pelo prazo de 10 (dez) dias, como isolamento preventivo, exatamente como é feito com todo e qualquer interno do sistema penitenciário do Distrito Federal”, considerou a juíza Leila Cury.
Junto com o sequestrador da filha
A magistrada não acatou os argumentos da defesa do empresário, de que a transferência dele o põe em risco. Os advogados de Luiz Estevão alegam que ele foi colocado em uma ala em que ficaria junto com o homem condenado por planejar o sequestro da filha dele. Ex-tenente da Polícia Militar, Osmarinho Cardoso da Silva Filho cumpre pena por extorsão mediante sequestro pelo crime ocorrido em setembro de 1997.
Sobre isso, a juíza determinou que a direção do presídio deva “zelar pelas integridades físicas dos dois internos”. As medidas são “a fim de evitar qualquer tipo de contato entre Luiz Estevão de Oliveira Neto e Osmarinho Cardoso da Silva Filho, inclusive com a alocação do primeiro em outro pavilhão disciplinar, sem contato com quaisquer outros presos, se assim considerar necessário.”
Condenado a 26 anos de prisão, o ex-senador Luiz Estevão (ex-PMDB) também é acusado pelo Ministério Público de financiar a reforma do bloco onde cumpre pena. Ex-diretores do sistema penitenciário também são acusados de serem coniventes. Segundo o MP, a reforma foi paga por meio de uma empresa de fachada.
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Entenda
A condenação foi imposta pela Justiça de São Paulo, a 31 anos de prisão pelos crimes de corrupção ativa, estelionato, peculato, formação de quadrilha e uso de documento falso nas obras do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. Como dois dos crimes, quadrilha e uso de documento falso prescreveram, a pena final caiu para 26 anos.



