Dados do Censo Escolar mostram aumento de matrículas e investimentos na rede pública
Brasília, 11 de março de 2026 – A estudante Juliana Dantas, de 16 anos, sentiu na rotina a mudança ao ingressar na educação em tempo integral. Moradora do Cruzeiro Novo, ela passou a estudar no Centro de Ensino Médio Integrado (Cemi) da região, onde concilia o ensino médio com um curso técnico em Tecnologia da Informação.
“No começo foi um baque, mas depois fui me acostumando com o tempo integral. Eu gosto muito de estudar a linguagem técnica de programação. Quero fazer faculdade de engenharia da computação”, conta a jovem.
No Cemi, as aulas ocorrem das 7h30 às 17h30. Ao concluir o ciclo, os estudantes saem com duas formações: o ensino médio regular e o curso técnico. Segundo o diretor da unidade, Getúlio Cruz, o modelo amplia as possibilidades acadêmicas e profissionais. “Eles saem prontos para trabalhar e para continuar estudando. Já colocamos mais de 40 alunos em universidades públicas, além dos que ingressam em instituições particulares com programas como Prouni e Fies”, afirma.
A experiência de Juliana acompanha uma tendência nacional. Dados da primeira etapa do Censo Escolar 2025, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram crescimento da educação em tempo integral em todas as etapas da educação básica nos últimos quatro anos. O país alcançou a meta do Plano Nacional de Educação (2014–2024), que previa atender pelo menos 25% dos alunos da rede pública nessa modalidade.
No Distrito Federal, os resultados também apontam avanço. De acordo com o Educacenso, o número de estudantes em tempo integral passou de 46.702 em 2019 para 51.217 em 2024, um aumento de 9,7%.
Para a secretária de Educação do DF, Hélvia Paranaguá, a ampliação da jornada escolar contribui para melhorar os indicadores educacionais. “O Distrito Federal tem muito a comemorar. Tivemos um salto pedagógico e ultrapassamos a meta de alfabetização prevista para 2025, alcançando índice 6,5. Quanto mais cedo a criança é estimulada e entra no processo educacional, melhores serão os resultados”, destaca.
Segundo a subsecretária de Educação Inclusiva e Integral, Vera Lucia Barros, o avanço também está ligado aos investimentos realizados pelo Governo do Distrito Federal. Em 2024, foram aplicados R$ 15,5 milhões na manutenção das escolas de educação integral e R$ 7 milhões na aquisição de equipamentos tecnológicos.
“Esses aportes fortalecem a capacidade das escolas de ofertar educação em tempo integral com condições adequadas, modernizando os ambientes pedagógicos e ampliando os recursos disponíveis aos estudantes”, explica.
Além da formação acadêmica, as escolas oferecem atividades complementares que incentivam a participação dos alunos. No Cemi, por exemplo, os estudantes podem integrar a orquestra sinfônica, participar de grupos de teatro ou desenvolver projetos ambientais, como uma horta comunitária.
Para o diretor Getúlio Cruz, essas iniciativas ajudam a fortalecer o vínculo dos jovens com a escola. “Aqui eles criam laços de amizade e passam a se sentir parte da comunidade escolar. Isso também contribui para diminuir índices de violência na região”, observa.
O estudante Lucas Tortoretti, de 15 anos, também percebe os benefícios da rotina ampliada. “Se eu não estivesse aqui estudando integral, provavelmente estaria em casa dormindo ou andando na rua. Aqui é melhor, porque estou sempre aprendendo alguma coisa”, diz.
Já Sara Teixeira, de 17 anos, que está no terceiro ano e mora em Ceilândia, vê na escola uma preparação para o futuro. “Quero fazer faculdade de inglês e estudar estética para abrir meu próprio negócio”, planeja.



