Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,79 bilhões, informa Banco Central

Recursos podem ser consultados por pessoas físicas e empresas; resgate é gratuito pelo sistema oficial

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Recursos podem ser consultados por pessoas físicas e empresas; resgate é gratuito pelo sistema oficial

Brasília, 14 de outubro de 2026 – O Banco Central (BC) informou que ainda existem R$ 5,79 bilhões em recursos esquecidos em bancos e outras instituições financeiras. Os valores, contabilizados até agosto de 2026, podem ser consultados por pessoas físicas, inclusive em nome de falecidos, e empresas por meio do Sistema Valores a Receber.

Do total disponível, R$ 4,31 bilhões pertencem a 23,94 milhões de pessoas físicas, enquanto R$ 1,48 bilhão está relacionado a 2,36 milhões de empresas. O montante representa um aumento de 2,6% em relação aos R$ 5,65 bilhões registrados no mês anterior.

A maior parcela dos recursos está concentrada nos bancos, que reúnem R$ 2,46 bilhões, o equivalente a 42,4% do total. As administradoras de consórcios aparecem em seguida, com R$ 1,97 bilhão, seguidas pelas cooperativas de crédito, com R$ 805,6 milhões.

Maioria dos valores é de até R$ 10

Os dados do Banco Central indicam que a maior parte dos beneficiários tem direito a quantias pequenas. Cerca de 69,4% dos valores disponíveis são de até R$ 10. Outros 18,95% estão na faixa entre R$ 10,01 e R$ 100, enquanto 9,39% variam de R$ 100,01 a R$ 1 mil. Apenas 2,21% dos beneficiários têm mais de R$ 1 mil a receber.

Os recursos podem ter origem em contas correntes ou poupanças encerradas com saldo, cobranças indevidas de tarifas, consórcios encerrados, contas de pagamento desativadas e sobras de capital de cooperativas de crédito, entre outras situações.

Como consultar e solicitar o resgate

A consulta deve ser feita exclusivamente pelo Sistema Valores a Receber, plataforma oficial do Banco Central. Pessoas físicas precisam informar o CPF e a data de nascimento. Para empresas, são solicitados os dados correspondentes ao cadastro empresarial.

Para solicitar a devolução, o usuário deve seguir as orientações apresentadas pelo sistema. Quando disponível a opção de recebimento por Pix, o prazo informado para a transferência é de até 12 dias úteis. Caso não tenha uma chave Pix habilitada para o procedimento, o titular deverá entrar em contato com a instituição responsável para combinar outra forma de pagamento.

O acesso à etapa de resgate pode exigir uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, além da leitura e aceitação do termo de responsabilidade.

No caso de valores pertencentes a pessoas falecidas, a consulta e a solicitação devem ser realizadas por herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais, conforme as exigências do sistema e da instituição financeira.

Banco Central alerta para golpes

O serviço é gratuito, e não é necessário contratar intermediários para consultar ou recuperar os valores. O Banco Central orienta os usuários a utilizar apenas o endereço oficial e a desconfiar de cobranças antecipadas, mensagens suspeitas e pedidos de senhas ou códigos de acesso.

A instituição também alerta que não envia links nem entra em contato para solicitar dados pessoais ou confirmar informações sobre valores a receber.

Recursos foram transferidos para programa de renegociação

Em maio, o governo anunciou o uso de recursos esquecidos em instituições financeiras para viabilizar o Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas. Na ocasião, cerca de R$ 5,7 bilhões foram transferidos para o Fundo de Garantia de Operações (FGO), mecanismo que oferece garantias às instituições financeiras em operações de crédito.

Segundo o governo, 10% do saldo transferido ficariam reservados para atender a eventuais pedidos de resgate dos titulares. A operação passou a ser investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que apura o uso desses recursos em programas federais fora do Orçamento da União.

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