Crônica: Um biscoito para o menino Luquinhas

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Operador de ataques coordenados contra veículos de comunicação, o jovem “Luquinhas” recebe “biscoitos” do Banco Master e de políticos condenados, mas arrisca manchar para sempre sua reputação ao servir de ferramenta descartável para o retrocesso

Por Ricardo Callado

“Biscoitar” virou gíria conhecida na internet: buscar atenção, elogios, validação ou, no caso mais grave, ser pago para atacar adversários. No Distrito Federal, o jovem Luquinhas, bem adestrado, sempre ganha seu biscoito dos padrinhos José Roberto e Jorgim.

Cada ataque aos adversários políticos rende recompensa — que pode ser pequena, média ou, como no caso do escândalo do Banco Master, bem generosa.

O “biscoiteiro” é assim mesmo. Faz parte da sua essência. Deixa de lado qualquer falsa modéstia, podendo até fraudar as métricas do seu blog pessoal para inflar números.

Ser chamado de biscoiteiro, embora possa ser usado de forma pejorativa, muitas vezes é uma brincadeira leve sobre a necessidade comum de aprovação social ou financeira na era digital.

Luquinhas, que ganhou de presente dos padrinhos um blog, é inexperiente e muito novo. Pouco sabe da vida. Os biscoitos que recebe têm origem duvidosa e podem ser rastreados por órgãos fiscalizadores e pela Polícia Federal.

O passado grita. E o retrocesso vem travestido de novo.

Quando Zé Roberto foi preso e afastado do governo na Caixa de Pandora, Luquinhas ainda estava nas fraldas do ensino fundamental.

Quando Jorgim “acumulava” imóveis em pseudo-regularizações de condomínios grilados ou na criação de áreas para postos de gasolina, ainda na CLDF, Luquinhas estava aprendendo o bê-á-bá.

Jorgim fez o seu primeiro bilhão antes mesmo de se lambuzar no Senado junto com seus amigos Renan e Romero e as bênçãos da vizinha Dilma. Se lambuzou tanto que acabou preso, mas Luquinhas estava ocupado com os estágios para saber o que estava acontecendo.

Esses fatos de nada adiantam para quem gosta de receber biscoito. Para isso, Luquinhas faz ataques quase diários a pessoas e empresas que trabalham de forma séria há décadas.

Esse humilde portal, por exemplo, que foi criado há 22 anos, tem dois terços da idade de Luquinhas. Enquanto somos atacados, ele se lambuza nos biscoitos.

O que Luquinhas não sabe é que, quando não for mais útil, seus padrinhos irão descartá-lo. Cuspido igual bagaço de laranja. Só ficará o nome sujo na praça e uma falta de credibilidade que, para quem é novo e está entrando na profissão, pode ser um combo que deixa marcas para o resto da vida. Por isso, muitos jornalistas experientes se negam a prestar este tipo de serviço sujo.

Luquinhas pode até estar nadando nos milhões de biscoitos do Master, de Arruda e de Jorgim, mas a festa acaba quando esses biscoitos começarem a amolecer.

Um conselho a Luquinhas: vá com calma, não se ofenda, não se deixe ser usado como bucha de canhão de políticos condenados por corrupção para atacar tudo e a todos, comprando brigas que não são suas.

Ladrar não adianta, pois a caravana passa.

Como dizia Belchior, que tive a honra de entrevistar: Como é perversa a juventude do meu coração, que só entende o que é cruel e o que é paixão!

Ainda há tempo de se afastar do esgoto, se limpar da lama e seguir pelo caminho certo.

Ricardo Callado é jornalista há quatro décadas, sendo 22 anos como editor do Portal do Callado. Passou por redações de grandes jornais brasileiros e com experiência em comunicação no setor público e privado e campanhas eleitorais.

 

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