CONIVÊNCIA MATERNA COM O CRIME

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Miguel Lucena*

Casos de conivência de mães com violência dos companheiros contra seus filhos não são raros, apesar de o politicamente correto tentar, a todo custo, esconder o fato. É muito duro admitir que o egoísmo sexual prevaleça em algumas situações.

Ressalve-se que a maioria das mães segura a barra da criação dos filhos, porquanto muitos pais só servem para fecundar o óvulo e desaparecem, seja porque a relação é eventual, fortuita, seja por se tratar de produção feminina independente, ou mesmo por negligência e imprudência no não-uso de contraceptivos.

Em audiência judicial, o padrasto que asfixiou e matou o enteado de 9 anos em Goiânia disse que o fez a pedido a mãe. Ela nega a co-autoria do crime, alega que foi enganada pelo parceiro e este assassinou a criança por não se conformar com o fim do relacionamento.

Ocorre que, dois dias após o assassinato do menino, praticado em 19 de maio deste ano, a mãe e o padrasto foram à Delegacia de Polícia registrar um falso desaparecimento. Entraram em contradição. O padrasto acabou confessando o crime, cometido, segundo ele, a pedido da mãe, porque a criança estava atrapalhando o relacionamento do casal.

Ficamos sabendo, nas delegacias, de casos em que as mães expulsam as filhas de casa a pedido dos companheiros, geralmente quando estes fracassam em alguma tentativa de relacionamento sexual com as enteadas.

Da mesma forma, mães são coniventes com as violações sexuais por um bom tempo e somente denunciam os abusadores, por vingança, quando eles resolvem acabar o relacionamento.

O dever de cuidado com os filhos precisa sempre estar em primeiro lugar. Não há desculpas para a negligência e o abandono, muito menos para cumplicidade criminosa com os delinquentes que roubam a inocência das crianças.

*Miguel Lucena é Delegado de Polícia Civil do DF, jornalista e escritor.

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