Compliance Zero expõe Lula e o PT, e coloca a reeleição em xeque

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Ao atingir Jaques Wagner e revelar as origens do esquema ainda no governo petista na Bahia, a operação mostra que o escândalo do Banco Master não é um caso isolado, mas parte de uma estrutura que envolve nomes centrais do PT, do Judiciário e do próprio Palácio do Planalto

Por Ricardo Callado

A Operação Compliance Zero, deflagrada com foco no líder do Governo Lula no Senado, Jaques Wagner, começa a desnudar de forma mais clara como o Banco Master operava e como suas raízes remontam ao PT da Bahia. O que começou como uma investigação sobre irregularidades financeiras está se transformando em um problema político de grandes proporções para o presidente Lula e para o PT.

A operação expõe que o modelo de atuação do Banco Master não surgiu por acaso. Ele tem conexões com práticas anteriores, como as operações do Credcesta durante o governo petista na Bahia. Com isso, o escândalo deixa de ser apenas um problema de gestão de um banco e passa a ser visto como parte de uma engrenagem mais ampla de favorecimentos e desvios que atravessam diferentes governos do PT.

O mais grave para Lula é que o caso está se aproximando perigosamente de figuras centrais do seu governo e do partido. Nomes como Jaques Wagner, Rui Costa, Ricardo Lewandowski, Guido Mantega, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e o próprio presidente já aparecem, de forma direta ou indireta, nas investigações ou nas discussões sobre o escândalo. Quanto mais a operação avança, mais difícil fica para o Planalto manter a narrativa de que se trata de um problema isolado ou de um banco “herdado”.

Lula aposta que seu eleitorado histórico não se importa com corrupção e que é possível blindar politicamente o governo com uma narrativa bem construída. No entanto, o crescimento do escândalo do Banco Master, somado à Operação Compliance Zero, está tornando essa estratégia cada vez mais arriscada. A cada nova revelação, fica mais evidente que o problema não está restrito a um banco ou a um grupo de empresários, mas envolve relações antigas e estruturadas de poder.

O escândalo do Banco Master, que já atingia aposentados e fundos de pensão, agora avança em direção ao núcleo político do governo federal. Se a investigação continuar avançando, o custo político para Lula em 2026 pode ser muito maior do que o governo imagina. O que começou como um problema financeiro pode se transformar em uma crise sistêmica de credibilidade para o PT.

 

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