Governadora do Distrito Federal afirma que declarações do presidente durante comício em Ceilândia atingiram sua honra e configuram violência política contra mulher; audiência foi marcada para novembro
Da Redação
A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), entrou com uma ação judicial contra o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por declarações feitas durante um evento político em Ceilândia, em setembro.
No processo, que tramita no 2º Juizado Especial Cível de Brasília, Celina alega ter sido vítima de violência política contra mulher e pede indenização de R$ 64,8 mil por danos morais.
A ação tem como fundamento declarações feitas pelo presidente em 16 de setembro, durante um comício em apoio à candidatura de Leandro Grass (PT) ao Governo do Distrito Federal.
Na ocasião, Lula criticou a atuação da governadora diante da crise financeira do Banco de Brasília (BRB), relacionada às operações realizadas com o Banco Master.
Declarações de Lula motivaram ação judicial
Durante o evento em Ceilândia, Lula afirmou que Celina tentava transferir ao governo federal a responsabilidade pelos problemas enfrentados pelo BRB.
“A governadora, de forma cínica e mentirosa, tenta jogar a responsabilidade para o governo federal”, declarou o presidente.
Na sequência, Lula atribuiu a crise da instituição financeira às operações realizadas durante a gestão do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), envolvendo o Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.
As declarações ocorreram em meio às negociações do Governo do Distrito Federal para obter o aval da União a uma operação de crédito destinada à capitalização do BRB.
Defesa de Celina aponta violência política contra mulher
Na ação, a defesa da governadora sustenta que as declarações ultrapassaram os limites da crítica política e atingiram sua honra e credibilidade.
Segundo o processo, Lula teria dirigido à governadora adjetivos ofensivos, acompanhados de considerações sobre quais deveriam ser suas prioridades administrativas.
Os advogados de Celina argumentam que a conduta do presidente configura violência política contra mulher e constitui ato ilícito passível de reparação.
A defesa também solicita que a eventual sentença seja divulgada nos mesmos canais em que as declarações consideradas ofensivas foram reproduzidas.
Outro pedido é para que Lula se abstenha de realizar novas manifestações da mesma natureza contra a governadora.
As alegações integram a argumentação apresentada pela defesa de Celina e ainda dependem de análise judicial. O ajuizamento da ação não significa que a prática de violência política tenha sido reconhecida pela Justiça.
Audiência de conciliação será realizada em novembro
Em despacho publicado nesta quinta-feira (8/10), o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e de Cidadania Virtual do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) marcou uma audiência de conciliação entre as partes.
O encontro está previsto para 4 de novembro de 2026, por videoconferência.
A audiência tem como objetivo verificar a possibilidade de um acordo antes do prosseguimento da ação.
Caso não haja conciliação, o processo poderá continuar para análise dos pedidos apresentados pela governadora.
Até o momento, não há decisão judicial reconhecendo a ocorrência de violência política contra mulher no episódio.
Crise do BRB está no centro do conflito
O desentendimento entre Celina e Lula ocorreu durante as discussões sobre a situação financeira do Banco de Brasília.
O GDF busca viabilizar uma operação de crédito de até R$ 6,6 bilhões, com recursos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e garantia da União, para reforçar a estrutura financeira da instituição.
Durante o comício, Lula criticou a condução do caso e afirmou que o governo federal não destinaria recursos para socorrer o banco.
Celina contestou a declaração, argumentando que o governo distrital não solicitava uma transferência direta de recursos federais, mas uma garantia para a contratação de empréstimo.
A governadora também questionou o tratamento recebido do presidente.
Em manifestação divulgada após o episódio, Celina perguntou se Lula utilizaria as mesmas palavras para se dirigir a um governador homem.
Processo ocorre durante disputa eleitoral no DF
A ação judicial foi apresentada em meio à campanha para o segundo turno das eleições de 2026.
Celina Leão disputa a reeleição ao Governo do Distrito Federal contra Leandro Grass (PT), candidato apoiado por Lula.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Celina recebeu 825.530 votos, equivalentes a 49,93% dos votos válidos.
Grass obteve 569.930 votos, correspondentes a 34,47%.
A votação do segundo turno está marcada para 25 de outubro, enquanto a audiência de conciliação no processo contra Lula ocorrerá em novembro, após a eleição.





