Corporação detalha estratégias para fase crítica da seca, com uso de IA, drones e campanhas educativas para reduzir queimadas no DF
Por Maria Mariana Callado
O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) realizou, na manhã desta quarta-feira (3), uma coletiva de imprensa com jornalistas da Associação Brasileira de Portais de Notícias (ABBP) para apresentar os detalhes da Operação Verde Vivo (OPVV) 2025, que entrou em sua fase mais crítica na segunda-feira (1º), marcada pela intensificação da seca no Distrito Federal.
A operação, coordenada pelo Grupamento de Proteção Ambiental (GPRAM), visa prevenir e combater incêndios florestais no Cerrado, com foco em ações educativas, tecnologia avançada e engajamento comunitário. A OPVV seguirá até 30 de novembro, cobrindo o auge da estiagem.Estrutura e Fases da Operação
Dividida em seis fases ao longo de seis meses, a Operação Verde Vivo 2025 inclui:
Fase de Preparação e Prevenção (março a maio): Capacitação de bombeiros, planejamento logístico e campanhas educativas, com visitas a escolas e ações de conscientização por dois meses via redes sociais, e-mail, site oficial do CBMDF (www.cbm.df.gov.br) (www.cbm.df.gov.br) e parceria com a Agência Brasília e veículos da ABBP.
Fase de Combate (junho a setembro): Período crítico de seca, com posicionamento estratégico de equipes, uso de inteligência artificial (IA) em câmeras para identificar focos de incêndio, imagens de satélite e georreferenciamento para monitoramento em tempo real.
Fase de Desmobilização e Avaliação (outubro a novembro): Análise de resultados e impactos para aprimorar futuras edições.
O CBMDF mobilizou 200 militares administrativos e 520 em regime de sobreaviso, 37 viaturas florestais, caminhões, ônibus de apoio, veículos leves com kits de combate (400 litros de água e jato compacto/nebulizado) e recursos aéreos prioritários, como aviões e helicópteros, focados em áreas de alto risco, como a Estação Ecológica de Águas Emendadas.
A operação incorpora tecnologias avançadas, incluindo:
Inteligência Artificial: Câmeras com IA identificam focos de calor em tempo real, agilizando a resposta.
Imagens de Satélite e Georreferenciamento: Monitoramento contínuo de áreas vulneráveis, como Gama, Samambaia, Brazlândia, Santa Maria, Planaltina e São Sebastião.
Drones: O CBMDF planeja adquirir drones de grande porte, capazes de carregar até 40 kg, para monitoramento e apoio logístico, complementando o drone já utilizado pelo GPRAM desde 2021.
O comandante do CBMDF, coronel A. Barcelos, destacou o engajamento da população como “decisivo” para reduzir os índices de queimadas, que em 2024 atingiram 8.554 ocorrências, com 22.250,4 hectares queimados. A corporação pede que administradores das Regiões Administrativas (RAs) implementem medidas preventivas, como aceiros e limpeza de áreas com vegetação seca. Orientações incluem: Não queimar lixo ou restos de poda; Manter aceiros em propriedades rurais; Denunciar focos de incêndio pelo canal 193.
A comunicação com a população é feita via redes sociais, e-mails, site oficial do CBMDF e veículos da ABBP, além de parcerias com a Secretaria de Comunicação do GDF. Campanhas educativas, incluindo blitze com estudantes, reforçam a conscientização.
O CBMDF registra uma média de 130 ocorrências diárias de incêndios florestais, mas lamenta cerca de 18 trotes por dia, que sobrecarregam o canal 193 e atrapalham a resposta às emergências. O tenente-coronel Ronaldo, comandante do GPRAM, reforçou que “os trotes desviam recursos e podem custar vidas”. A corporação apela para que a população use o 193 com responsabilidade.
A Operação Verde Vivo, iniciada em 30 de abril de 2025 na Praça do Buriti, mobiliza cerca de 1.000 militares e conta com apoio do Instituto Brasília Ambiental, Ibama e ICMBio. Em 2024, a seca histórica de 167 dias sem chuva elevou os desafios, com grandes incêndios no Parque Nacional de Brasília. A vice-governadora Celina Leão destacou a importância da colaboração comunitária: “O engajamento da população foi essencial para enfrentar a seca do ano passado.”
O comandante Barcelos enfatizou: “Preservar o Cerrado e proteger vidas é uma responsabilidade compartilhada. A população deve evitar queimadas e denunciar focos imediatamente.”
A operação também inclui o Projeto Piloto de Resgate de Fauna Vertebrada Silvestre, que socorre animais afetados por incêndios.



