Defesa de denunciados por corrupção, apoio a candidato a distrital de outro partido e confundir a campanha da OAB com a campanha política, de acordo com alguns advogados, é, sobretudo, “uma perda para a advocacia e uma perda para a democracia, ao não agir de forma a preservar o caráter independente e apartidário da entidade”
Candidato ao governo do Distrito Federal, Ibaneis Rocha continua estreitamente ligado à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF). Com discurso contraditório, aos poucos ele tem perdido prestígio na advocacia e também dentro do próprio partido, o MDB.
Na propaganda partidária, o discurso é de estabelecimento de uma nova política, honesta. Mas, internamente, esta retórica está indo por água abaixo, principalmente pelo apoio declarado de Ibaneis a pessoas denunciadas por corrupção.
No último dia 12 de setembro, no lançamento da sua chapa na OAB Advocacia na Ordem, o candidato afirmou que Juliano Costa Couto foi o melhor presidente na Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal. Em maio deste ano, o Ministério Público Federal denunciou Juliano por corrupção ativa e lavagem de dinheiro ao ter, supostamente, vazado informações no MP em benefício do grupo J&F. Mesmo assim, Ibaneis Rocha, durante a campanha, tem declarado seu prestígio ao atual presidente denunciado, assim como pediu que ele indicasse um sucessor para a presidência Jaques Veloso.
Essa postura tem repercutido no meio político quando o assunto é corrupção. Principalmente porque Ibaneis, no seu papel de Corregedor da OAB, abriu processo ético para apurar a conduta do advogado Willer Tomaz, preso preventivamente pela Operação Patmos, por suspeita de pagar propina ao procurador da República Ângelo Goulart Vilella em troca de informações sigilosas de investigação do Ministério Público Federal. No entanto, na fez contra Juliano Costa Couto – seu sucessor e aliado na OAB.
No mesmo evento, realizado na semana passada, o candidato ao governo do DF pediu voto a Severino Cajazeiras, candidato a deputado distrital pelo Avante – o que tem causado revolta dentro do MDB.
O vídeo que registra Ibaneis declarando apoio a esses nomes tem gerado bastante indignação entre a classe dos advogados, assim como na classe política. Isso porque, segundo interlocutores, ele tem misturado a campanha da OAB com a campanha política – o que, de acordo com alguns advogados, é, sobretudo, “uma perda para a advocacia e uma perda para a democracia, ao não agir de forma a preservar o caráter independente e apartidário da entidade”.
A postura do candidato é conhecida por seus colegas de profissão. Ibaneis tem a fama de proteger a todos custo seus aliados e perseguir quem se opõe a sua vontade. O jornalista Donny Silva tira isso a prova, em reportagem de abril de 2018, trazendo uma degravação onde o presidente Juliano Costa Couto diz que Ibaneis quer perseguir Lairson Bueno.
Bueno acusa o candidato Ibaneis, que o tirou da AOB de Taguatinga, de persegui-lo dentro da instituição e utilizar de influência para condena-lo no TED.
Na política, Ibaneis tem demonstrado não ter receio de utilizar a sua força financeira para eleger e proteger as pessoas que são seus amigos com o objetivo de criar um grande domínio no DF. Ele vai nos eventos de sua chapa “Advocacia e Ordem” para dizer quem serão os candidatos do grupo em cada cidade e em cada comissão da OAB.
A atual chapa de Ibaneis Não age de forma a preservar o caráter apartidário e independente da OAB. Segundo fontes, Ibaneis chegou a dizer, em comemoração a sua candidatura a advogados aliados, no dia, que seu vice ideal seria o professor Severino Cajazeiras, mas que por impossibilidade política, se contenta com Paco Brito.
Após esses episódios, Ibaneis vem perdendo apoio entre a classe dos advogados, o que deve refletir nas pesquisas tanto na OAB, quanto ao GDF.



