Ex-governador de Goiás, que recebeu cerca de 2,6 milhões de votos na disputa presidencial, formalizou apoio ao candidato do PL nesta terça-feira
Da Redação
O ex-governador de Goiás e candidato derrotado à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) anunciou oficialmente, nesta terça-feira (6), apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O anúncio foi feito em Goiânia, durante evento realizado no comitê do governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB). Flávio participou do encontro acompanhado do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Prefeitos, parlamentares e outras lideranças ligadas ao grupo de Caiado também participaram da agenda.
“Pode contar com nosso apoio. Estamos à sua disposição para entrar onde for no nosso país”, afirmou Caiado ao formalizar a adesão à campanha de Flávio.
Caiado promete participar da campanha
A manifestação ocorre dois dias depois do primeiro turno e um dia após Flávio telefonar para Caiado para discutir o posicionamento do ex-governador na etapa final da eleição.
Caiado indicou que pretende participar ativamente da campanha e se colocou à disposição para acompanhar Flávio em agendas pelo país.
Daniel Vilela também já havia declarado apoio ao candidato do PL na segunda-feira (5). Com isso, Flávio reuniu no evento desta terça algumas das principais lideranças políticas de Goiás, além de Tarcísio.
Caiado elogia Jair Bolsonaro
Durante o discurso, Caiado também fez elogios ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de quem foi colega na Câmara dos Deputados.
“Bolsonaro foi meu colega de Congresso por mais de 20 anos”, afirmou.
Caiado também defendeu uma anistia ao ex-presidente e disse a Flávio que, caso estivesse em sua posição, adotaria essa medida.
A eventual concessão de anistia, entretanto, depende dos limites constitucionais e legais aplicáveis e pode envolver atuação do Congresso Nacional e controle judicial, conforme o conteúdo de uma eventual proposta.
Ex-governador recebeu cerca de 2,6 milhões de votos
Caiado disputou a Presidência no primeiro turno e terminou em quinto lugar, com aproximadamente 2,6 milhões de votos, equivalentes a 2,18% dos votos válidos.
Ele ficou atrás dos dois candidatos classificados para o segundo turno e também de Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão).
Na segunda-feira, outro candidato eliminado da disputa, Romeu Zema (Novo), também declarou apoio a Flávio. Zema terminou em sexto lugar e anunciou sua posição por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais.
Flávio fala em mudar Constituição
Durante o evento em Goiânia, Flávio comemorou o desempenho de seu campo político nas eleições para o Congresso Nacional e afirmou que pretende utilizar a nova composição do Legislativo para promover mudanças constitucionais.
“Já temos maioria no Senado e na Câmara, para a gente mudar a Constituição para redemocratizar o país”, declarou.
A afirmação política de Flávio, porém, não significa que o PL tenha sozinho votos suficientes para alterar a Constituição.
O partido ampliou sua bancada e deverá iniciar a próxima legislatura com 121 deputados federais e 28 senadores.
Para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), são necessários os votos favoráveis de três quintos dos integrantes de cada Casa, em dois turnos. Isso corresponde a pelo menos 308 dos 513 deputados e 49 dos 81 senadores.
Dessa forma, qualquer alteração constitucional defendida por Flávio dependerá da construção de alianças com outras legendas no Congresso.
União Brasil e PP também anunciam apoio
A articulação de Flávio avançou também nesta terça-feira com a decisão da Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, de apoiar sua candidatura no segundo turno.
A decisão foi tomada pelas direções das duas legendas. A federação havia mantido neutralidade no primeiro turno.
O Podemos também caminha para anunciar apoio ao candidato do PL, enquanto o Republicanos mantém negociações sobre seu posicionamento nacional.
Apesar da decisão nacional da Federação União Progressista, há lideranças das legendas que mantêm posições diferentes. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por exemplo, sinalizou a interlocutores que pretende continuar apoiando Lula.
Segundo turno será em 25 de outubro
Flávio e Lula disputam o segundo turno da eleição presidencial em 25 de outubro.
Nesta primeira semana após a votação de domingo, as duas campanhas concentram parte das articulações na busca pelo apoio de candidatos derrotados, governadores, partidos e lideranças regionais.
A adesão de Caiado ocorre nesse movimento e acrescenta à campanha de Flávio um ex-candidato presidencial que governou Goiás e mantém influência política no estado.





