Tensões e expectativas na presidência brasileira do BRICS revelam desafios para Lula em meio a um cenário global complexo

A afirmação de que o BRICS “dá as costas ao Brasil de Lula” reflete um sentimento crescente em setores da oposição e nas redes sociais, que acusam o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de perder influência no bloco em 2025, ano em que o Brasil assume a presidência do grupo. Contudo, a realidade é mais matizada. Sob a liderança de Lula, o Brasil busca reforçar sua posição como articulador do Sul Global, mas enfrenta divisões internas no BRICS, pressões externas de potências como os EUA e críticas domésticas que questionam sua estratégia.
O que está por trás dessa percepção de isolamento? O BRICS, formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Indonésia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, representa 40% da população e da economia global, superando o G7 em emissões de gases de efeito estufa. Em 2025, o Brasil assumiu a presidência do bloco, com o lema “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança Mais Inclusiva e Sustentável”. Lula abriu o 17º Summit do BRICS em 6 de julho, no Rio de Janeiro, defendendo a reforma da governança global, criticando o colapso do multilateralismo e condenando ataques a membros como o Irã, além da guerra em Gaza, que chamou de “genocídio”.
O Brasil, sob Lula, defende o uso de moedas locais para reduzir a dependência do dólar, uma pauta antiga que ganhou força com a expansão do bloco em 2023 e 2024, mas enfrenta resistência de membros como a Índia, que teme antagonizar os EUA. A declaração do Rio, com 31 páginas, condenou tarifas protecionistas e ataques militares, mas adotou tom moderado para evitar atritos com potências ocidentais antes da COP30.
A afirmação de que o BRICS “dá as costas” a Lula surge de diversos fatores. Tensões com os EUA e Trump: A reeleição de Donald Trump em 2024 trouxe ameaças de tarifas de 10% a 100% contra o BRICS, caso o bloco desafie a hegemonia do dólar. Lula respondeu com firmeza no Summit do Rio: “O mundo mudou. Não queremos um imperador”. No entanto, a cautela do Brasil em evitar confrontos diretos, como abandonar propostas de uma moeda comum, foi vista por críticos como submissão às pressões americanas.
O BRICS “dá as costas” ao Brasil de Lula, e o país enfrenta desafios para manter influência em um bloco cada vez mais heterogêneo. Lula usa a presidência de 2025 para projetar o Brasil como líder do Sul Global, mas a resistência à expansão desenfreada e a cautela frente às ameaças de Trump geram críticas de traição ou fraqueza. Domesticamente, a polarização e a alta rejeição de Lula (55%) amplificam a narrativa de isolamento. O sucesso de Lula no BRICS dependerá de sua habilidade em equilibrar ambições globais com a coesão interna do bloco — e com a paciência de um eleitorado cansado de promessas.



