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Rodrigo Maia descarta retorno das atividades presenciais na Câmara

Mesmo que Distrito Federal flexibilize isolamento, sessões continuam virtuais

Por Heloísa Cristaldo

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), descartou nesta quarta-feira (6) que as atividades da Casa possam se normalizar caso haja flexibilização do isolamento social no Distrito Federal, previsto para acontecer a partir da próxima segunda-feira (11). Atualmente, as votações têm sido realizadas por sessão virtual e apenas um parlamentar por partido pode permanecer presencialmente no plenário, usando máscara.

“Não podemos esquecer que, no início, Brasília tinha a pior situação do Brasil e isso melhorou graças ao trabalho do governador Ibaneis e sua equipe. Se já está na hora de reduzir o isolamento, é uma decisão técnica do meu ponto de vista, e cabe ao governador avaliar se tem as condições para liberar. O que a gente não pode é errar na liberação, com o fim do isolamento, e gerar uma segunda onda muito mais forte”, disse o deputado, em coletiva à imprensa.

Segundo Maia, a malha aérea ainda não foi normalizada, o que inviabiliza o trânsito de parlamentares que se deslocam semanalmente de todo o país para as votações no plenário da Câmara, na capital federal. O congressista disse que o plenário da Casa ainda não tem condições para garantir a segurança sanitária de centenas de pessoas.

“Tem muitos parlamentares e servidores que estão com idade acima de 60 anos. Então, como se colocar esse plenário, com [uma média de] 250 deputados, assessores, imprensa e não ter como chegar à Brasília. Em Maio, a malha aérea não melhorou quase nada. Junho parece que melhora um pouquinho. Mas, como nós fazemos, primeiro, para que os parlamentares possam ir e voltar? Segundo, como se coloca nesse plenário, com pouca circulação de ar, uma grande quantidade de pessoas? Então, não é uma decisão que nós podemos tomar baseada na decisão de Brasília de reduzir o isolamento”, assegurou o deputado.

Combate à covid-19

Segundo Maia, na próxima sexta-feira (8) estarão na pauta do plenário dois projetos relacionados ao enfrentamento ao novo coronavírus. O primeiro deles trata da obrigatoriedade da utilização de máscaras em todo território nacional. O projeto de lei de autoria do deputado Pedro Lucas Fernandes (PTB-MA) prevê a obrigatoriedade do uso de máscaras de proteção para circulação em locais públicos. Pelo texto, as forças de segurança poderão ser usadas para que a medida seja, de fato, implementada.

“Tendo em vista que foi amplamente noticiado no decorrer da semana que estudos publicados confirmam que o novo coronavírus também circula no ar, em uma distância e por um tempo relativamente longo, torna-se imperiosa a adoção de medida que obrigue o uso de máscaras de proteção, mesmo que de fabricação artesanal, por toda e qualquer pessoa durante a circulação em logradouros, instalações, edificações ou áreas de acesso públicos”, argumentou o deputado ao defender a medida.

Respiradores

A Câmara deve analisar também a proposta que simplifica e flexibiliza as exigências técnicas sanitárias previstas para o registro de ventiladores e respiradores pulmonares durante a pandemia de covid-19. O texto prevê que esse registro deve ter critérios que facilitem o processo de autorização, fabricação, comercialização, instalação e utilização e também viabilizar a produção rápida e de grandes quantidades com o objetivo de atender o aumento da demanda por esse tipo de equipamento em função da pandemia.

O projeto de lei determina que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) terá o prazo de 72 horas para analisar a documentação relacionada com o pedido de registro sanitário dos equipamentos, desde que preenchidas as exigências feitas pela agência reguladora e comunicadas pendências ao fabricante interessado para o saneamento em até 48 horas.

PEC do Orçamento de Guerra será promulgada nesta quinta

Presidentes do Congresso e da Câmara estarão presentes

Por Marcelo Brandão

O Congresso Nacional promulgará nesta quinta-feira (7), às 15h, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) conhecida como PEC do Orçamento de Guerra. Além do presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também estará presente.

A PEC havia passado pelo Senado e foi aprovada em segundo turno pela Câmara na noite desta quarta (6). O texto dá ao governo mais flexibilidade para gastar recursos no combate à pandemia do novo coronavírus ao permitir a separação destes gastos do Orçamento Geral da União (OGU).

O texto autoriza a União a descumprir a chamada “regra de ouro”, mecanismo constitucional que impede o governo de se endividar para pagar despesas correntes, como salários e custeio. A medida vale enquanto durar o estado de calamidade pública nacional reconhecido pelo Congresso Nacional, previsto para terminar no dia 31 de dezembro de 2020.

Para efeitos de acompanhamento dos gastos, o Ministério da Economia publicará, a cada 30 dias, um relatório com os valores e o custo das operações de crédito realizadas no período de vigência do estado de calamidade pública.

Testagem em massa volta ao horário normal nesta quinta

Mais de 2,1 mil testes foram realizados nesta quarta-feira (06) com 23 casos positivos para a Covid-19

A Secretaria de Saúde continua testando a população do Distrito Federal para a Covid-19. Nesta quarta-feira (6), em horário especial para a testagem, 2.115 testes rápidos foram aplicados e 23 confirmaram a doença. Ao todo, desde o dia 21 de abril, 47.291 pessoas foram testadas resultando em 307 diagnósticos positivos.

O exame deve ser agendado por meio do site Teste em Massa Covid-19 ou pelo aplicativo e-GDF. No site, a partir de hoje, quando o cidadão for agendar a testagem, e o posto da região onde ele reside já estiver com todas as agendas programadas, no mesmo instante ele será informado da indisponibilidade. No entanto, novas vagas continuarão sendo abertas.

“Amanhã retomaremos com o horário normal de funcionamento dos postos, a partir das 8h até as 17h, para minimizar transtornos maiores e manter o planejamento. Destacamos que novas vagas serão abertas para que possamos atender o máximo da população de cada região”, destaca o secretário-adjunto de assistência à saúde, Ricardo Tavares Mendes.

Cabe lembrar que o agendamento pela internet ocorre para reduzir o tempo de espera pelo teste e evitar aglomerações. O resultado do exame é enviado para o e-mail cadastrado no site. Já o direcionamento do local do exame leva em consideração a área onde o cidadão reside.

Os testes são seguros e aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Público-alvo

 As testagens são, prioritariamente, para pessoas com sintomas de gripe ou com histórico de contato com alguém que teve a confirmação da Covid-19. Elas precisam residir com idosos e morar nas regiões administrativas que participarão, neste momento, da testagem em massa.

Nos casos considerados mais graves, os pacientes poderão ser direcionados para o Hospital Regional da Asa Norte (Hran), referência em atendimento para a Covid-19.

Precauções

Por segurança, é recomendado à população o uso de máscaras faciais já na saída do domicílio, e que cada carro tenha, no máximo, quatro pessoas.

A testagem é realizada por servidores da Secretaria de Saúde e conta com a participação de voluntários da área.

Confira, abaixo, os números de testes realizados em cada um dos pontos de testagem no DF:

Posto de Testagem Testes realizados06/05/2020 Resultados positivos Testes realizados até o momento Resultados positivos
Plano Piloto – Parque da Cidade 160 1 15.077 64
Águas Claras – Unieuro 171 3 14.897 109
Lago Sul – Paróquia S. Pedro de Alcântara 337 4 3.210 23
Ceilândia – Iesb 237 0 2.947 29
Sobradinho – Sesi 225 1 2.441 13
Guará – ParkShopping 220 4 3.634 33
Planaltina – Loja Maçônica 145 5 651 19
Lago Norte – Iguatemi Shopping 149 1 2.476 2
Taguatinga – JK Shopping 254 0 961 7
Gama – Bezerrão 217 4 997 8
Total 2.115 23 47.291 307

Secom e Biotic aderem à campanha para recolher sabonete e sabão

Órgãos serão pontos de coleta dos produtos que serão distribuídos a famílias carentes

A Secretaria de Comunicação do Distrito Federal e o Parque Tecnológico de Brasília (Biotic) aderiram à campanha lançada pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), nesta terça-feira (5), Dia Mundial de Higiene das Mãos, e também serão pontos de coleta de sabonetes e/ou sabão em barra que serão doados para famílias do DF em situação de vulnerabilidade social.

A campanha para arrecadar os itens de higiene pessoal foi lançada pela Caesb com o objetivo de colaborar neste difícil momento de pandemia. O projeto é aberto aos empregados da Empresa, a empresários e à população do DF. A medida é essencial para ajudar na prevenção do novo coronavírus.

Os beneficiados serão famílias de crianças e adolescentes, entre 6 e 16 anos, moradoras de Ceilândia, Itapoã e Paranoá, atendidas pelo Projeto Golfinho, desenvolvido pela Caesb. A Empresa também pretende encaminhar doações para os centros do Governo do Distrito Federal que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Além dos novos pontos na Secretaria de Comunicação do DF e no Biotic, os interessados em ajudar podem deixar as doações nas unidades da Caesb Sede, em Águas Claras, e no SIA. A partir da próxima semana, a Empresa vai divulgar mais pontos de arrecadação.

Os produtos serão recolhidos durante os próximos 30 dias, mas o prazo pode ser prorrogado. A distribuição será realizada na primeira semana de junho pelas equipes da Empresa e por voluntários que tenham interesse em participar.

Onde entregar as doações
– Sede da Caesb (Lotes 13 / 21 – Centro de Gestão de Águas Emendadas, Av. Sibipiruna – Águas Claras)
– Unidade da Caesb no SIA (Lote F – SAPS, SIA Trecho 1)
– Secretaria de Comunicação do DF (Portaria do Palácio do Buriti, Térreo)
– Biotic (Parque Tecnológico de Brasília, Lote 4, Edifício de Governança, Bloco “B”, 2º Andar, entre o Parque Nacional e a Granja do Torto)

Mais informações
Quem quiser participar da campanha e não puder levar a doação até um dos pontos, pode entrar em contato com a Assessoria de Comunicação da Caesb pelo número 3213-7117 ou pelo e-mail ascom@caesb.df.gov.br

Secec terá R$ 2 milhões para premiar artistas brasilienses

Investimento do GDF, além de valorizar profissionais que contribuem com o desenvolvimento artístico da capital, socorre o setor durante a pandemia da Covid-19 Edital saiu no DODF desta quinta-feira (7)

A Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec) lançou, nesta quinta-feira (07), o FAC Prêmios – Cultura Brasília 60, que vai investir R$ 2 milhões em prêmios a agentes culturais que tenham prestado relevante contribuição ao desenvolvimento artístico ou cultural no Distrito Federal e Entorno.

Este edital já é o segundo dentro programa Conecta Cultura, pacote de ações para atenuar os danos causados pela crise da Covid-19 no setor. Com o lançamento do FAC Apresentações On-Line em abril, no valor de R$ 2 milhões, o Distrito Federal lidera a injeção de recursos para o segmento em todo o país: R$ 4 milhões.

Foto: Secec/Divulgação

O secretário de Cultura e Economia Criativa Bartolomeu Rodrigues chama a atenção para o caráter democrático e inclusivo do edital, que permite a inscrição de projetos de artistas de rua ou sem cadastro ativo junto à Secec.

Para facilitar, o processo será mais simples, com o preenchimento de formulário e envio de portfólio.  “Queremos que a premiação tenha o verdadeiro significado do reconhecimento por essas pessoas, das mais ilustres às anônimas, que sempre trabalharam em prol do desenvolvimento cultural da nossa capital. Estes agentes dedicaram suas vidas para a realização de obras que marcam a identidade do DF e é justo o reconhecimento e gratificação pela grandeza dos seus trabalhos”, diz.

Dividido por categorias, o chamamento público vai premiar 500 agentes culturais que tenham desenvolvido ações artísticas em benefício da sociedade. A iniciativa reconhece, principalmente, as ações destinadas a comunidades em situação de vulnerabilidade social ou com reduzido acesso aos meios de produção e fruição cultural.

Cada premiado receberá R$ 4 mil. Podem concorrer artistas de modalidades como artesanato, artes plásticas, fotografia, audiovisual, cultura digital, circo, cultura popular, design e moda, dança, gestão e capacitação cultural, literatura, música, ópera, patrimônio histórico, produção cultural, teatro e grafite.

Na prática, o edital reconhece os entes culturais que promovem o desenvolvimento cultural e levam arte para a população do Distrito Federal, como explica Bartolomeu Rodrigues. “Nos 60 anos de Brasília, vamos enaltecer esses artistas e agentes que batalham pela difusão cultural, e que mantêm acesa essa chama que faz da capital um caldeirão cultural”, diz.

Coordenado pelas subsecretarias de Fomento e Incentivo Cultural (Sufic) e de Economia Criativa (Suec), o chamamento atende aos requisitos da Política Cultural de Ações Afirmativas e atuará como um reforço eficiente para a coleta de dados para mapear e entender as principais demandas dos agentes culturais locais.

A ação da Secec, além de enaltecer as iniciativas que levam cultura para todo o DF, também é e uma resposta de auxílio à cadeia produtiva tão prejudicada pelo isolamento social.

Nesse sentido, a equipe da Secec atuará com celeridade na seleção dos artistas concorrentes, a fim de que os prêmios sejam pagos ainda no primeiro semestre de 2020. “Ao premiar fazedores de cultura que estão impedidos de realizar apresentações neste período, auxiliamos o setor”, comenta Bartolomeu Rodrigues.

Além disso, um dos principais critérios para a admissibilidade dos projetos será para candidatos que comprovem trabalhos que geram oportunidades de emprego e renda, contemplando ainda o desenvolvimento de ações voltadas para o fortalecimento da economia criativa e economia solidária.

Os interessados podem se inscrever até o dia (25) de maio.

Mais ações
As ações do Conecta Cultura, programa lançado pela Secec para mitigar os impactos causados pela pandemia da Covid-19 no setor cultural, se somam a outras iniciativas realizadas no período para beneficiar o segmento.

Na visão do secretário Bartolomeu Rodrigues, são iniciativas que têm feito o diferencial nesta crise do setor cultural. Ele elenca, por exemplo, o diálogo com o setor produtivo e a reestruturação nos mecanismos de fomento – possibilitando a execução virtual de atividades como Serenata de Abril, do projeto Brasília 60+60, e o Brasilia International Film Festival (BIFF) que se tornou o primeiro festival de cinema totalmente virtual.

“Além de ampliar o o valor da Lei de Incentivo à Cultura (LIC), também lançamos na semana passada o maior edital do FAC Regionalizado da história, o que significa que todas as ações da Secec somente neste período já injetam R$ 17 milhões na economia criativa do DF”, completa.

Mais informações aqui.

ARTIGO | A importância do poder

Por Raimundo Ribeiro

Quando Montesquieu pensou em tripartição de poderes, certamente sabia da necessidade deles atuarem como freios e contrapesos objetivando o equilíbrio vital para uma nação.

Como todos os países desenvolvidos, a carta política de 1988, não por acaso apelidada de Constituição Cidadã também adotou a lição de Montesquieu, cuidando de definir com muita clareza as atribuições de cada um, atribuindo ao Judiciário, dentre outras competências, a missão de dirimir litígios restabelecendo o equilíbrio social vulnerado e emprestando a segurança jurídica fundamental para sobrevivência de uma sociedade.

No mundo real, e no Brasil em especial, as coisas não saíram como planejado sabiamente pelo legislador constituinte.

Decorridos 31 anos sob a égide da carta cidadã, temos um país convulsionado onde o executivo se transformou numa fábrica de problemas, um legislativo que não legisla e um judiciário que se eleva ao Olimpo como se tivesse recebido um chamado para substituir os outros.

A piorar, o ministério público trepa no cangote do judiciário para cometer os mesmos erros se esquecendo que nem poder é, e a imprensa cuida de maximizar o caos disseminando mentiras, meias-verdades, meias-mentiras, substituindo fatos por versões e proclamando um estado de loucura, com divisões e ódio.

O vírus do ego inflado, da arrogância, da sede de poder, da omissão e a ambição desmedida gera a usurpação de funções uns dos outros, e o resultado só poderia ser este clima de discórdia e confusão reinante.

Passa da hora dos exercentes de funções públicas resgatarem as suas obrigações, pararem de se meter nas atribuições dos outros e se limitarem a cumprir suas funções permitindo sossego aos seus verdadeiros patrões que financiam toda essa pantomina a quem chamam cinicamente de contribuinte.

Façam isso logo, se não porque resgataram o juízo, que seja por instinto de sobrevivência.

Raimundo Ribeiro é advogado da União aposentado, foi secretário de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do DF e deputado distrital por dois mandatos

Distribuidoras de combustíveis não podem romper contratos de compra de etanol em razão do coronavírus

Por Mariani Chater*

O ano de 2020 prometia ser excepcional para o setor sucroenergético. Com safra recorde, esperava-se que a produção de etanol fosse manter a alta registrada em 2019, no entanto, diante da queda do preço do petróleo, do avanço do coronavírus e da redução do consumo de combustíveis, tal projeção foi drasticamente alterada.

Não bastasse a criticidade do momento, recentemente, inúmeras usinas foram surpreendidas com notificações de distribuidoras de combustíveis, comunicando que, em razão da abrupta queda do consumo, com base na cláusula de exoneração de responsabilidade em caso de força maior, não cumpririam os contratos de fornecimento e compra de etanol celebrados.

Acontece que, este descumprimento, além de gerar um efeito dominó catastrófico em toda a cadeia produtiva, parece não encontrar respaldo legal.

Primeiramente, há de se ponderar que estes contratos decorrem de uma sistemática estabelecida pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), que obriga a formalização dos contratos de fornecimento de etanol anidro (que é misturado à gasolina) com as distribuidoras de combustíveis, a fim de assegurar o abastecimento da população no período de entressafra, no termos da Resolução nº 67/2011.

Com isso, há verdadeira limitação à autonomia empresarial das usinas, que, em seu planejamento, devem observar a produção e o estoque de etanol anidro definidos pela autarquia. Consequentemente, são impedidas de definir, a seu critério, o tipo de etanol (se hidratado ou anidro) e a quantidade que produzirão, bem como de negociar livremente a sua venda, no momento que lhes for mais conveniente e vantajoso.

Portanto, as usinas, já na formação do vínculo contratual, são submetidas a condicionantes que desequilibram a relação obrigacional, cujo rompimento unilateral se pretende.

Relativamente ao instituto da força maior, que serviu de justificativa para o rompimento contratual, de acordo com o que dispõe o art. 393 do Código Civil, o devedor não será responsabilizado pelos prejuízos resultantes de fatos humanos ou naturais, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir.

No caso específico das distribuidoras de combustíveis, a obrigação contratual por elas assumida, consiste na compra do volume de etanol ajustado, tratando-se, desta forma, de obrigação de pagar, diferentemente da obrigação das usinas, que é produzir e fornecer etanol (obrigação de fazer). Assim, não há uma efetiva impossibilidade de cumprimento daquilo que foi pactuado, que consiste simplesmente no pagamento (obrigação pecuniária). Somente a comprovação da absoluta inviabilidade econômica de fazê-lo, calcada em relação de causa e efeito, poderia justificar o afastamento dos termos do contrato, o que não é o caso. A mera alegação da ocorrência da crise e consequencial queda do consumo, portanto, não são suficientes para fundamentar a resolução contratual.

Não só isso, há que se destacar que a própria temporariedade de eventual óbice ao cumprimento do pactuado, por si só, já afastaria a força maior, uma vez que as medidas de prevenção ao contágio com o coronavírus não se estenderão indeterminadamente, de modo que o consumo de combustíveis em breve será retomado. Assim, ainda que haja uma alteração passageira das circunstâncias que envolvem os contratos de fornecimento, estas não justificam o rompimento do vínculo contratual; no máximo, a suspensão ou revisão, igualmente temporárias, de suas condições.

Nem mesmo a onerosidade excessiva do contrato poderia ser alegada. O art. 478 do Código Civil, ao tratar do assunto, dispõe que, nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Ou seja, para que reste configurada a possibilidade de resolução contratual sob esse fundamento, é indispensável a demonstração de extrema vantagem, 0-se, lucro desarrazoado, para a outra parte contratante, o que não se verifica na situação em comento.

A redução da demanda e do consumo de combustíveis influenciou diretamente na queda do preço de venda do etanol pelas usinas. Considerando que, nos contratos de fornecimento, normalmente os preços são flutuantes e vinculam-se à data próxima à venda, as distribuidoras também se beneficiaram da queda, pagando menos pelo etanol. Vê-se que, sob esse aspecto, também inexiste respaldo para eventual alegação de onerosidade excessiva.

Não menos relevante é a possibilidade de as distribuidoras estocarem o combustível adquirido em unidades próprias, em terminais aquaviários ou terrestres autorizados pela ANP, em instalações autorizadas de outro distribuidor de combustíveis líquidos ou mesmo nos tanques dos produtores de etanol. Portanto, a recém-editada Resolução n° 812/2020 da ANP, embora tenha suspendido as obrigações previstas na Resolução 45/2013, que trata da manutenção de estoques mínimos de gasolina e diesel, não reflete no automático rompimento de contratos hígidos outrora firmados.

Afora todos esses argumentos, que demonstram a inafastável manutenção dos contratos denunciados, as distribuidoras, que pretendem a exoneração de suas obrigações perante as usinas, na outra ponta da cadeia, represam cortes de preço e mantêm as exigências imputadas aos revendedores (postos de combustíveis), a exemplo da galonagem mínima e da cláusula de exclusividade.

De todo o contexto apresentado, vê-se que a pretensão das distribuidoras de combustíveis de se desobrigarem dos contratos de fornecimento firmados, não só fere a legislação vigente, mas também toda a principiologia do direito contratual que, em situações como a que estamos vivenciando, determina a observância da boa-fé objetiva e dos deveres laterais de lealdade, colaboração, cooperação e cuidado, que os contratantes são obrigados a guardar entre si, tanto na execução como na conclusão do contrato (art. 422 do Código Civil).

As usinas representam um setor de valiosa representatividade na economia do país e a repentina resolução dos referidos contratos repercute em danos severos não apenas para os produtores de etanol, mas para todos aqueles que integram a cadeia produtiva da cana (desde trabalhadores, pequenos agricultores a prestadores de serviços e fornecedores de maquinário). Há, portanto, relevantes aspectos coletivos, sociais e econômicos, que transcendem o interesse individual dos contratantes.

Logo, o expediente de que se valeram as distribuidoras, além de desprovido da necessária proteção legal, infringe a função social dos contratos que pretendem resolver e, lamentavelmente, contribui para o colapso do setor, o que deve ser coibido pelas autoridades competentes, notadamente pela Agência Nacional de Petróleo, enquanto fiscal das atividades econômicas integrantes da indústria dos biocombustíveis.

* Advogada e sócia do escritório Chater Advogados, em Brasília

Aprovado projeto de lei que regulamenta a coleta de lixo nos condomínios horizontais no DF

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Proposta visa garantir direito à coleta de lixo feita pelo SLU aos moradores que pagam o Imposto Predial Territorial Urbano e a Taxa de Limpeza Pública regularmente

Foi aprovado em segundo turno no plenário da Câmara Legislativa do DF na terça-feira (05), o Projeto de Lei nº 1.147/2020, de autoria do deputado distrital João Cardoso, que visa assegurar aos condôminos das unidades imobiliárias localizadas nos condomínios horizontais do Distrito Federal a coleta de resíduos sólidos realizada pelo Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU).

O autor da proposta, depois de ouvir os síndicos de vários condomínios e o presidente do SLU, Edson Duarte, resolveu protocolar o projeto, cujo objetivo é assegurar tratamento isonômico para os moradores dos condomínios horizontais do Distrito Federal, que pagam IPTU e TLP justamente para serem atendidos adequadamente no que diz respeito aos serviços públicos que são prestados à população, nesse caso específico a coleta de resíduos sólidos, que embora tendo o direito não são contemplados como deveria.

O parlamentar afirma que há décadas os moradores dos referidos condomínios vêm reclamando ao GDF o direito de terem os resíduos sólidos por eles produzidos coletados regularmente. Mas, mesmo cumprindo fielmente com suas obrigações tributárias, não são atendidos com a eficácia a que fazem jus, tanto como contribuintes, quanto como cidadãos, o que, segundo ele, não se justifica sob qualquer aspecto.

A proposta assegura ainda que a coleta do SLU só será realizada no interior dos condomínios que quiserem e cuja estrutura permita a trafegabilidade e manobra dos caminhões. É facultado aos condomínios, conforme a proposta, a acomodação dos resíduos em lixeiras ou containers próximos às portarias.

“Fico muito feliz por termos avançado com a aprovação deste projeto que certamente impactará de forma positiva no dia-a-dia dos moradores dos mais de mil condomínios do DF”, defende o autor da proposta.

Conforme compromisso firmado pelo próprio presidente da CLDF, Rafael Prudente, em uma live promovida pelo autor da proposta com participação do presidente do SLU e síndicos a proposta deve ser encaminhada ainda nesta quarta, 06 de maio, para sanção do governador Ibaneis Rocha.

GDF prepara o Cartão Prato Cheio

Benefício é voltado às pessoas em situação de vulnerabilidade, para garantir a segurança alimentar das famílias durante o período de pandemia

O Governo do Distrito Federal (GDF) finaliza projeto para implantação do Auxílio Segurança Alimentar e Nutricional. Chamado de Cartão Prato Cheio, o benefício é voltado para pessoas em situação de vulnerabilidade com o objetivo de garantir a segurança alimentar das famílias, principalmente durante o período de pandemia do coronavírus. Após finalizado, o texto segue para apreciação da Câmara Legislativa do DF.

Coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), a iniciativa beneficia os inscritos no Cadastro Único com renda mensal per capita igual ou inferior a meio salário-mínimo. Ainda de acordo com a proposta, quando aprovado pelos deputados distritais e sancionado pelo governador Ibaneis Rocha, as unidades da pasta ficam responsáveis pelo cadastramento, avaliação e concessão do benefício.

“Entre outros fatores, estamos dando a possibilidade da família de escolher o produto que melhor lhe atende e o local de sua confiança para aquisição desse alimento”, destaca a secretária de Desenvolvimento Social, Mayara Noronha Rocha. Ela enfatiza ainda que essa ação ajuda a fortalecer o pequeno comerciante, gerando economia e renda para esses empreendimentos.

É impostante destacar que seu recebimento não exclui a possibilidade de solicitação de outros benefícios de programas governamentais de transferência de renda ou socioassistenciais.

O valor do cartão está previsto para ser calculado considerando o valor da cesta emergencial oferecida pela Sedes, acrescido de uma quantia extra referente ao café da manhã (pão e leite). De maneira prática, seriam os R$ 170 da cesta mais R$ 3, diários, da refeição matinal. O valor final pode ser diferenciado de acordo com a quantidade de membros da família.

A equipe técnica da secretaria trabalha agora na montagem do melhor desenho para a implementação, com o objetivo de atender adequadamente às necessidades das famílias que tiveram a situação de vulnerabilidade agravada nessa situação de pandemia.

Paralelamente, a pasta vai estudar com a Secretaria de Economia os impactos econômicos e sociais no orçamento. O cuidado principal é para criar uma política pública consistente. Assim que concluída essa etapa, será encaminhado projeto de lei à CLDF.

ENTREVISTA RAFAEL PRUDENTE | Estamos seguros na recuperação da economia do DF

Em entrevista a portais de notícias de Brasília, presidente da Câmara Legislativa afirma que o objetivo é salvar vidas e depois a economia, principalmente os pequenos comércios

As autoridades de saúde do Distrito Federal estimam que o pico da contaminação da Covid-19 ocorra na segunda quinzena de julho. A medida que os testes em massa são ampliados, mais seguro fica o controle da doença. São medidas seguras e ordenadas para superar a pandemia.

Durante entrevista a portais de notícias de Brasília, na tarde desta quarta-feira (6), o presidente da Câmara Legislativa, deputado Rafael Prudente (MDB), foi enfático: o objetivo principal é salvar vidas. E que estudos e ações já estão sendo feitos para amenizar o impacto sobre a economia de Brasília.

A recessão é uma realidade pós-pandemia, não só no Distrito Federal, mas em todo o mundo. Vai se sair melhor quem se planejar com antecedência e implantar as melhores ideias.

O comércio do Distrito Federal deve reabrir na próxima segunda-feira (11). A Justiça Federal suspendeu a reabertura. A medida determina a visita de uma comissão do Poder Judiciário à sala de situação – que monitora os casos do novo coronavirus, no Palácio do Buriti – nesta quinta-feira (7), para então reavaliar a proibição.

O Legislativo vai participar da reunião. Segundo Rafael Prudente, a decisão assinada pela juíza Kátia Balbino de Carvalho, da 3ª Vara Federal Cível, é mais uma medida para uma reunião de trabalho e o Judiciário se inteirar do que está sendo feito pela equipe de governo e do Legislativo.

A juíza, atendeu a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal, Ministério Público do Distrito Federal e Ministério Público do Trabalho. A partir dessa reunião a decisão pode ser reavaliada.

“Entendemos a preocupação da justiça. O que ela fez foi bloquear a abertura, mas o governo está muito seguro e vamos sanar todas as dúvidas da juíza para garantir a reabertura da economia”, declarou Prudente.

Para o presidente do Legislativo, o governo do DF está com a curva controlada. O pico é porque está se testando mais. “Estamos muito seguros dessa reabertura do governo, porque o governo terá disponível mais 600 leitos caso sejam necessários para utilização da população. O governo não vai fazer nenhum tipo de loucura. Tudo que está sendo feito tem respaldo técnico”.

Rafael Prudente também diz acreditar que o Distrito Federal vai virar o ano menos no vermelho. “Estamos trabalhando, Câmara e governo, em conjunto, para minimizar o máximo os impactos.

 

É preciso ajudar os microcomerciantes

Prudente revelou que o Legislativo está afinado com a equipe econômica do governo, e que uma preocupação principal é com os pequenos e os micros. “São eles que tem a maior dificuldade de conseguir financiamentos. Essas dificuldades porque os cadastros não passam. Estamos trabalhando para superar os limitadores do banco. Criar um fundo garantidor de R$ 500 milhões. Nada mais é do que um programa de financiamento menos burocrático. Crédito para os pequenos poderem conseguir capital de giro, manter seus negócios e continuar gerando os empregos”.

 

Resposta rápida

Outra preocupação do parlamentar durante a pandemia, foi o de dar continuidade nos trabalhos da Câmara Legislativa. Não parar os trabalhos, no momento de dificuldades em que a população precisa. “Mostramos que somos proativos, que a Câmara não parou, e buscarmos dar todas as respostas que a população precisou. Aquilo que o governo precisou anunciar tinha que passar pelo crivo do Poder Legislativo. E demos a nossa contribuição. A gente trabalhou para dar resposta rápida.

A Câmara Legislativa, lembrou Prudente, foi a primeira assembleia legislativa a fazer uma sessão remota, depois do Senado. “Isso foi possível porque fizemos investimentos internos no ano passado, informatizando a casa. Assim conseguimos nesse período de pandemia ter dado as respostas à sociedade”, destacou.