Jabuti e tamanduá-mirim com ferimentos graves são tratados com técnicas inovadoras
Brasília, 5 de agosto de 2025 – Com o agravamento da seca no Distrito Federal, o Hospital Veterinário Público de Animais Silvestres (Hfaus) já começou a receber os primeiros animais feridos por queimadas. Entre os casos atendidos recentemente estão um jabuti e uma tamanduá-mirim resgatados com queimaduras na Floresta Nacional de Brasília (Flona).
O jabuti chegou ao hospital com queimaduras no casco e nas patas, além de estar desidratado. Após cuidados clínicos, como uso de pomadas e banhos de sol, o animal apresenta melhora, embora ainda exista a possibilidade de perda de placas ósseas, o que pode exigir reconstrução com resina.
A situação mais grave é da tamanduá-mirim, que teve 80% do corpo queimado. A equipe do Hfaus adotou um tratamento inovador utilizando pele de tilápia, técnica que acelera a cicatrização e foi aplicada pela própria equipe, treinada para o preparo do material. Segundo o biólogo Thiago Marques, coordenador do hospital, a tamanduá ainda está em estado crítico e sob vigilância intensiva, principalmente devido ao seu metabolismo lento e à baixa temperatura corporal.
O Hfaus realiza triagens clínicas e define planos de reabilitação para cada animal atendido. Em 2024, o hospital recebeu 11 animais vítimas de queimadas, dos quais seis foram reintroduzidos à natureza com apoio do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), do Ibama.
O aumento de ocorrências com fauna silvestre nesta época do ano preocupa especialistas. Além das queimaduras, há registro de atropelamentos, maus-tratos e fugas por perda de habitat. A recomendação é não tentar resgatar os animais por conta própria e acionar os órgãos responsáveis:
→ Polícia Militar: 190
→ Corpo de Bombeiros: 193
→ Brasília Ambiental (Ibram): 3214-5637
→ Linha Verde do Ibama: 0800 61 8080
A tenente Thays Gonçalves, do Batalhão de Polícia Militar Ambiental, alerta que as queimadas afetam profundamente o equilíbrio ambiental, comprometendo cadeias alimentares, a flora e até o clima da região. “Mesmo quando sobrevivem, muitos animais não conseguem mais voltar à natureza”, afirma.



