ANÁLISE POLÍTICA // Política no feminino, por Celson Bianchi

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Fazer política não é uma coisa simples, mas para quem se dispõe a disputar uma eleição se torna quase uma obrigação. Fazer política é uma arte e requer capacidade de articulação e disposição para conciliar interesses nem sempre convergentes.

Para se chegar à vitória numa eleição se faz política desde a composição da chapa até o último voto depositado na urna. Coligar partidos, definir candidatos majoritários e proporcionais e até a divisão do tempo de propaganda eleitoral requer uma dose extra da capacidade de fazer política. Até o contato e o convencimento do eleitor requer habilidade política para se mostrar como a melhor opção na hora solitária do voto.

Pois tem muita gente precisando aprender a fazer política no DF. E neste quesito as mulheres estão dando um banho de capacidade política. São apenas cinco parlamentares na Câmara Distrital, mas apesar de minoritárias conseguiram construir uma articulação política tal, que hoje comandam aquela Casa Legislativa e tornaram obrigatório conjugar a política no feminino. Não tem ação política que se encaminhe no DF, sem que as mulheres sejam ouvidas e quando não o são, a coisa desanda.

Tem muita gente precisando aprender com elas.

Firmeza de posição, compromisso com a palavra dada e articulação firme e comprometida com os interesses da população tem sido uma marca feminina do universo político no DF. A começar pela presidente da Casa, cujas ações têm em foco o conjunto dos deputados, inclusive os de oposição e mostram que a política quando é feita da maneira correta tem resultados positivos. Nunca a Câmara Legislativa esteve tão bem avaliada. E as sessões realizadas em cada cidade do DF são a marca registrada de que estar próximo da população é mais do que possível, é necessário.

Para quem não acreditava na capacidade política das mulheres estes onze meses de governo serviu para calar os céticos e os descrentes. Embora tendo sido uma voz ativa da oposição no governo passado, muitas vezes solitária em suas ações, Celina Leão conseguiu canalizar a insatisfação popular e virou a página ao integrar o grupo vencedor das urnas em 2014, e não teve medo de rugir, nem mesmo para aliados, quando foi preciso.

Obstinada, tem resistido à tentação fácil de aumentar impostos e ao mesmo tempo em que verbaliza as insatisfações de seus colegas deputados com o governo, consegue abrir caminho para a aprovação de questões importantes para a cidade e para o governo.

Em quase um ano de mandato, provou que fazer política é a única forma de se atravessar um mandato com sucesso. A outra é se fechar em si mesmo e ver afundar o próprio projeto político, como a estória do capitão que afunda com o seu navio.

Até na hora de dar seu grito do Ipiranga em relação ao Executivo, Celina acertou. Não fossem os seus rugidos os teóricos de plantão ainda estariam levando o governo para o olho do furacão ao invés de navegar em mares menos turbulentos.

O preço é alto. O submundo da política ainda se mostra inconformado com a força feminina e continua tentando a todo custo inviabilizar suas ações. Contudo eles se esquecem que a força das mulheres vai muito além do batom e quem não conseguir enxergar isto certamente vai ficar para trás e o máximo que vão conseguir é assistir de camarote a vitória de todas elas. Aos inimigos vão restar apenas o beijinho no ombro de desdém. Há nos cabe reconhecer que atualmente são elas quem tem a força.

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