Paulo Baía, do Anexo 6
A proposta do “PMDB – Uma Ponte para o Futuro” – e seu complemento para políticas sociais representa um divisor de águas na conjuntura política nacional.
O governo Dilma esfarinhando com uma base governista no Congresso Nacional com objetivos e interesses diferenciados e uma oposição sem energia social e política. O mérito da proposta liderada por Michel Temer não está exatamente no seu conteúdo, e sim nas possibilidades concretas de construção de uma engenharia política que dê consistência a um governo de transição pós Dilma, com reflexos efetivos de mudanças estruturais para os próximos dez anos do Brasil.
A proposta “Uma Ponte para o Futuro” permite a construção de um campo de forças que apontam para o controle imediato da crise política, fiscal e econômica, com o apoio da maioria das macro e micro forças diferenciadas da sociedade civil brasileira. Até o momento está sendo muito bem recebida pelas mídias de largo alcance popular e maior circulação entre os formadores de opinião clássicos, assim como entre os novos formadores de opinião.
A proposta, independentemente de seu conteúdo, tem o mérito de atrair a simpatia e a esperança de amplos segmentos sociais movidos pela energia social da indignação ao governo Dilma, além de representar e uma alternativa à cansativa polarização estabelecida no cenário político brasileiro entre PT e PSDB.
Creio que a iniciativa do PMDB criou uma janela de oportunidade até então ausente das alternativas políticas. “Uma Ponte para o Futuro” representa um esforço louvável e realista para enfrentar a crise e restabelecer a esperança de um Brasil para os próximos dez anos. É um alento de esperança que estava ausente das práticas políticas brasileiras do tempo presente.
* Paulo Baía é sociólogo e cientista político





