A CPI do Covid-19: uma celebração a estupidez, ao desrespeito e a hipocrisia

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POR LUCIANO LIMA

Nesta terça-feira, 6 de julho, quebrei uma promessa que havia feito a mim mesmo, que era de não assistir mais as audiências e depoimentos da CPI da COVID-19. Não aguentei! Aproveitei que fiquei em casa e tasquei o dedo no controle para assistir ao vivo pelo canal CNN Brasil.

BIZARRO é a palavra mais apropriada para o espetáculo horrível que assisti hoje durante o depoimento da servidora do Ministério da Saúde, fiscal do contrato da vacina Indiana Covaxin, Regina Célia. Era perceptível a incredulidade da servidora com o que estava acontecendo. Aliás, havia também um imenso desconforto por parte de alguns senadores. Isso era e foi “televisível”.

É fato que o senador Renan Calheiros está na CPI para criar narrativas que serão “vendidas” para as “cabeças” dos noticiários dos telejornais, para manchetes de jornais impressos e online e, quem sabe futuramente, para os programas das campanhas eleitorais.

Os senadores Renan Calheiros, Omar Aziz, Randolfe Rodrigues, Humberto Costa, e alguns outros oportunistas que tentam pegar uma carona midiática, não conseguem nem disfarçar. Perderam completamente a vergonha da obviedade. As “Vossas Excelências” têm a certeza que ninguém está assistindo a CPI e que somente as narrativas que lhes interessam serão divulgadas nos veículos de comunicação que comungam com o show de desrespeito que está sendo promovido.

Por isso considero tão importante que a população assista parte dos depoimentos na íntegra sem cortes ou edições. O que está indo para várias TVs, sites e jornais eu posso afirmar que não representa o que, de fato, está acontecendo na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID-19.

As ações do senador Renan Calheiros em especial, por ser o grande mentor do show de horrores, são vergonhosas. Ele não permite que a convidada responda as perguntas que ele mesmo faz. Quando a Regina Célia fazia uma explanação mais elaborada, Renan não permitia que ela continuasse. Ou seja, quando a resposta não lhe interessava, não comprometia ninguém e nem iria ajudá-lo a construir as narrativas, logo o depoimento era interrompido não só por ele, mas por outros senadores. Um “jogo” combinado, com as regras expostas, como entranhas, para todo mundo assistir.

E não para por aí: Renan e Azis repetem as mesmas perguntas incansáveis vezes com o claro objetivo de confundir a depoente, que não foi à CPI como investigada, e sim como convidada a colaborar com as “investigações”.

E não para por aí: o mais bizarro de tudo (que todos só vão acreditar assistindo) é o senador Renan Calheiros tentando responder, com o intuito de incriminar ou responsabilizar, as perguntas que ele mesmo fazia para a servidora Regina Célia. Entenderam? Ele fazia a pergunta, a servidora respondia e ele repetia, segundos depois, uma resposta que a servidora não havia dito. Eu juro que o estômago embulhou, tamanho era o nojo que senti do que estava assistindo.

É uma pena que o Senado Federal esteja, e tenho certeza que nem todos os senadores comungam com essa situação, se rebaixando à latrina do “cocô do cavalo do bandido”. O que eu assisti só hoje, 6 de julho, na CPI do COVID-19, daria certamente para escrever um livro de 100 páginas. Por isso, insisto, tente assitir por um dia que seja os depoimentos da comissão.

Não estou aqui criando um juízo de valor sobre a culpabilidade ou a inocência de quem quer que seja. A CPI já passou o recibo de que não quer punir realmente aqueles que são acusados ou investigados por desvios de bilhões da saúde em plena pandemia. Estou chamando a atenção de todos para
os vexames, os desrespeitos, as agressões e os ataques aos direitos individuais de pessoas, que até que se prove o contrário, são inocentes. E mesmo assim, estão sendo expostos como “bichos em um zoológico” por senadores que agem como “carrascos”.

Aliás, não podemos esquecer que vários desses “carrascos” são acusados de participarem de casos de corrupção conhecidos no mundo inteiro, e alguns com listas invejáveis de processos.

VIVA CARLOS GABAS!

*Luciano Lima é historiador, jornalista e radialista

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