Denúncias de uso de servidores e equipamentos federais para pré-campanha ilegal no DF geram ações de Damares Alves e acionamento de MPF e TRE-DF
Da Redação
O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e pré-candidato ao governo do Distrito Federal pelo PSB, Ricardo Cappelli, enfrenta requerimentos no Senado e possível investigação do Ministério Público Federal (MPF) e do Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF) após denúncias de uso de estrutura pública para fins eleitorais. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) protocolou, nesta sexta-feira (14), requerimento de informações ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, supervisionado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), cobrando explicações sobre o suposto “bunker político” na ABDI.
A denúncia, revelada pelo portal Diário do Poder em reportagem de Mael Vale, baseia-se em relatos de ex-integrantes da equipe e mensagens internas que descrevem um grupo comandado pelo gerente de marketing da agência, Bruno Trezena, operando em uma sala no Edifício Ariston, no Setor Comercial Sul de Brasília. O local seria dedicado à produção de conteúdo, interação com eleitores nas redes sociais e respostas a adversários, com metas diárias como 70 comentários e 10 publicações por dia, além de 60 mensagens e 30 ligações via WhatsApp.
As orientações, atribuídas à assistente Ana Cardoso, enfatizavam “padrão de respostas humanizado” e correção gramatical, com alertas como “O Cappelli é jornalista, não podemos ter erros de português”.
Ex-integrantes relataram a aquisição de cinco celulares e cinco notebooks para simular a presença digital de Cappelli, com distribuição de vídeos via grupos de WhatsApp e comentários assinados como se fossem do pré-candidato. Os depoimentos apontam demissões sem aviso, ausência de registro em carteira e atrasos em pagamentos, com um clima de “medo e retaliação”, incluindo frases como “O Cappelli é vingativo. Os caras vão perseguir”.
A denúncia pode configurar campanha antecipada e uso irregular de bens públicos, vedados pela Lei das Eleições (Lei 9.504/1997) e pela Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/1992).
Damares Alves questiona se há investigações internas no ministério e na ABDI, pede acesso a contratos de publicidade dos últimos 24 meses e dados sobre o orçamento de comunicação da agência, com execução orçamentária. O requerimento deve ser respondido em até 30 dias.
Paralelamente, o MPF e o TRE-DF foram acionados para apurar propaganda eleitoral antecipada e descumprimento de jornada de trabalho. Cappelli, indicado ao cargo em julho de 2023, acumula 4,8% nas intenções de voto para o governo do DF, segundo Real Time Big Data de setembro.
A assessoria de Cappelli não respondeu aos contatos até o fechamento desta matéria.



