Parlamentares de esquerda enfrentam críticas por fazer tropa de choque do governo, proteger o irmão de Lula, e podem receber punições do eleitor nas eleições de 2026
Da Redação
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Roubo dos Aposentados, instalada em julho no Congresso Nacional, investiga desvios estimados em R$ 6 bilhões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), afetando aposentados, pensionistas e beneficiários. O esquema, considerado um dos maiores fraudes contra o sistema previdenciário brasileiro, envolve irregularidades em concessões de benefícios, fraudes em revisões e desvios em contratos de terceirização.
Parlamentares do Distrito Federal, como a senadora Leila do Vôlei (PDT-DF) e a deputada federal Erika Kokay (PT-DF), são acusadas de integrar uma “tropa de choque” do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para dificultar a investigação, especialmente em relação a possíveis ligações com o irmão do presidente, conhecido como Frei Chico.
A CPMI foi criada após denúncias de fraudes no INSS, reveladas pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O Ministério Público Federal (MPF) estima que o rombo atinja aposentados e pensionistas de baixa renda, com benefícios concedidos indevidamente a partir de dados falsos.
A investigação aponta para um esquema que operou entre 2019 e 2024, com indícios de conivência de servidores do INSS e empresas de consultoria. Frei Chico, irmão de Lula, é mencionado em depoimentos como possível beneficiário indireto de revisões fraudulentas, embora o Planalto negue qualquer envolvimento e afirme que as acusações são políticas.
Leila do Vôlei e Erika Kokay, ambas da esquerda, têm sido criticadas por opositores por ações que, segundo denúncias, visam obstruir a CPMI. Em sessões recentes, a senadora Leila questionou a legalidade de quebras de sigilo bancário e fiscal solicitadas pela comissão, enquanto a deputada Kokay defendeu a necessidade de “diálogo com o governo” antes de avançar investigações, o que foi interpretado como protelação.
Relatórios da CPMI indicam que essas posturas contribuíram para atrasos em oitivas e na análise de documentos do INSS. O deputado Ramagem acusou as parlamentares de “protegerem interesses do PT”, destacando que o esquema prejudicou milhares de aposentados no DF e em todo o país.
O desempenho das duas parlamentares tem decepcionado parte do eleitorado do Distrito Federal, segundo pesquisas recentes. Analistas políticos, como o professor da UnB Carlos Ranulpho, afirmam que a associação com o governo Lula, cuja desaprovação no DF atingiu 59,7% segundo o Instituto Paraná Pesquisa, pode prejudicar suas candidaturas em 2026.
Kokay, que busca reeleição à Câmara, e Leila, para o Senado, enfrentam concorrência de nomes fortes como Michelle Bolsonaro (PL) e Ibaneis Rocha (MDB), que lideram as intenções de voto para o Senado com 36% e 35,6%, respectivamente.
O esquema de fraudes no INSS envolveu mais de 500 mil benefícios irregulares, segundo o TCU. A CPMI já ouviu ex-diretores do INSS e representantes da CGU, e planeja convocar Frei Chico para depoimento. O governo federal, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), contesta as acusações, afirmando que as irregularidades foram corrigidas e que a CPMI tem viés político. Até o fechamento desta matéria, nem Leila do Vôlei nem Erika Kokay se manifestaram sobre as críticas.



