Lula cede a Moraes e diz que governo fará o que o ministro do STF preferir

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Reunião no Planalto teria consolidado influência de Alexandre de Moraes sobre decisões do governo, intensificando crise diplomática, segundo O Globo

Da Redação

Uma matéria publicada pelo jornal O Globo revelou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes exerceu forte influência em uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outros ministros da Corte, realizada na noite de 30 de julho no Palácio do Planalto.

Segundo o veículo, durante o jantar, que contou com a presença dos ministros Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, além do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e do advogado-geral da União, Jorge Messias, Moraes teria imposto suas decisões em relação à crise desencadeada pelas sanções americanas contra ele, aplicadas sob a Lei Magnitsky pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC).

De acordo com O Globo, Lula teria afirmado que “o governo fará o que ele [Moraes] preferir”, sinalizando uma postura de deferência ao ministro, que é alvo de críticas por suas ações no Inquérito 4781, conhecido como inquérito das fake news, e no Inquérito 4874, sobre tentativa de golpe de Estado.

A reunião foi convocada após as sanções dos EUA, que acusam Moraes de violações de direitos humanos, como censura e detenções arbitrárias, e a imposição de uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros pelo presidente Donald Trump.

Fontes citadas por O Globo indicam que Moraes defendeu uma resposta dura às sanções, incluindo a possibilidade de retaliações comerciais e ações na Justiça americana, enquanto Lula buscou evitar escalada de tensões com os EUA. A postura do presidente, descrita como submissão às demandas de Moraes, gerou críticas de aliados e opositores. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em postagem no X, classificou o episódio como “capitulação” do governo, enquanto setores da base governista expressaram desconforto com a influência do STF sobre o Executivo.

O STF e o Planalto não comentaram oficialmente a matéria. A crise, que também envolve a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL), reforça o debate sobre a relação entre os Poderes e a soberania nacional frente às pressões externas.

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