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Por Celson Bianchi, do Alô Brasília
Ao passar pela Secretaria da Criança, a senhora retornou para uma delegacia, a 31ª DP, com uma visão mais forte de polícia comunitária?
Jane Klebia- Sem dúvida. Acredito que fazer polícia comunitária é, particularmente, mais que um desejo, é uma “vocação” que alimento, para além de uma obrigação institucional do Estado. Além disso, é uma demanda social que ao ser implementada promove o fortalecimento das instituições e nos faz melhores como seres humanos. Aperfeiçoei a percepção dessa necessidade social na Secretaria de Estado da Criança e do Adolescente, responsável por promover a ressocialização do adolescente em conflito com a Lei. Ao desenvolver a política institucional, especialmente da socioeducação, percebemos que dentre os pilares da ressocialização que inclui a responsabilização pelos atos infracionais, a reparação do dano, a oferta de oportunidades e perspectivas aos jovens reeducandos é o que promove a retomada do rumosocial esperado. Já na 31ª DP, com esse referencial, melhorei o espaço da SAM (seção de atendimento à mulher), criando um ambiente mais acolhedor, onde a vítima de violência doméstica é atendida por uma policial feminina, que cria um diferencial no atendimento, promovendo uma oitiva mais sensível e acolhedora. Sabemos que a vítima chega fragilizada pela agressão e com a autoestima em baixa. Este é outro enfoque de polícia comunitária.
O que a fez assumir o desafio de comandar a Administração Regional de Sobradinho?
Ser um gestor público é assumir compromissos e aceitar desafios. A possibilidade de por à prova os conhecimentos e experiências acumulados ao longo da carreira, me instigam e impulsionam. Nasci, cresci, estudei e iniciei minha vida profissional em Sobradinho, onde fui Auxiliar de enfermagem, professora de ensino fundamental e médio, além de Delegada de polícia civil, mais recentemente. Assumir a Administração regional é a oportunidade de exercitar outro olhar sobre a cidade. Deixo de ser usuária de serviços e moradora para ser responsável pela necessária interlocução com outros órgãos públicos, pela busca de serviços coletivos e melhorias para a cidade. Outro fundamental papel do Administrador, que espero exercitar a cada dia, é de ser “boa ouvinte”. Todos os setores, organizados ou não, querem ser ouvidos e ter seus problemas solucionados. A disposição em ouvir e buscar soluções sempre fizeram parte das empreitadas que assumi, espero aprimorá-las na gestão. Assumi a administração atendendo a um convite do Governador, o que para mim é uma honra, pois, demonstra que as oportunidades que me foram dadas na administração pública corresponderam às expectativas.
O que fazer para driblar a falta de recursos e pessoal?
Falta de recursos se supera com uma boa dose de humildade, perseverança e criatividade. Humildade para buscar em outros espaços e instituições (pedir), perseverança para não desistir quando as respostas não forem animadoras ou as dificuldades forem grandes e criatividade é um exercício diário de ouvir, aceitar boas sugestões, articular parceiros dispostos a ajudar e recebercolaboração e o mais importante: contar com apoio e boa vontade da comunidade que está sempre disposta a ajudar. Vemos isso, nos insistentes pedidos de agendas que nos esforçamos para atender a todos e, com raríssimas exceções, são sempre portadores de bons projetos ou boas ideias. Quanto à falta de pessoal, ela é crônica de todas as instituições. Se ficarmos só pensando na falta de pessoal ou esperando condições ideais para trabalhar, não fazemos nada. Então, a palavra de ordem é “arregaçar as mangas” nos apegar a quem quer fazer, que, com certeza é a maioria, contar com a experiência e capacidade dos servidores e otimizar as ações.
Quais são as prioridades de sua gestão?
As prioridades devem ser estabelecidas pela própria comunidade. Constantemente recebemos listas de pedidos que quando compatibilizadas, vemos que são os mesmos pedidos. O que a população quer? Andar com segurança pelas ruas, ter uma cidade bonita, arborizada e limpa, boa iluminação pública, que aumenta a segurança nas ruas, um comércio aquecido, acessibilidade nas vias, etc. Se observarmos é o que deseja a população de qualquer cidade. Disso concluo que o administrador não deve querer “inventar a roda”, mas, buscar eficiência nas tarefas simples, ser transparente para mostrar o que está sendo feito e, até as dificuldades em fazer.
Os políticos da região temem que sua presença possa ofuscar a deles?
Não sei se há esse temor. Se houver, não há qualquer razão, pois, sou uma moradora da cidade, desejando trabalhar para a cidade. Esse trabalho não é feito sem apoio dos parlamentares, que em suas atividades, além de outras coisas, destinam verbas das “emendas parlamentares” para aplicação na cidade. Procuro sempre dar o melhor de mim em tudo que faço e me sinto recompensada quando atinjo os objetivos propostos pelos meus superiores e, no caso da administração, ficarei feliz quando atender aos desejos dos demandantes, que são os moradores da cidade de Sobradinho.



