
Por: Chico Leite
Segundo o professor português José Mendes, a dimensão do sucesso de uma cidade pode ser medida pelo seu nível de sustentabilidade.
Não há dúvida, quando falamos de gestão de resíduos sólidos, que se trata de um grande desafio, que envolve todo o conjunto da sociedade.
Precisamos REDUZIR o volume de resíduos produzidos, o que implica evitar desperdícios. Na escala de nossos lares, condutas simples podem ser adotadas, como adquirir o que realmente precisamos, evitar jogar alimentos fora e perder o prazo de validade dos alimentos. Não desperdiçar água na lavagem de calçadas, sanar vazamentos, apagar as lâmpadas dos cômodos, usar equipamentos e aparelhos com menor consumo de energia, enfim praticar o consumo consciente.
Precisamos, do mesmo modo, REUTILIZAR, o que significa não jogar fora o que pode ser aproveitado. Às vezes, o que não serve mais a um indivíduo pode ser doado e aproveitado por outro. Absolutamente, tudo o que é produzido precisa de energia, portanto quando jogamos fora algo estamos lançando junto toda a energia despendida na sua fabricação, inclusive todo o esforço humano e investimento econômico também. Algumas ações simples, como reformar roupas, como transformar uma calça jeans em uma bermuda; doar computadores e aparelhos eletrônicos, utilizar as folhas de papel dos dois lados ou aproveitar a água de lavagem de roupa para limpar a calçada são importantes e impactam diretamente sob a disponibilidade dos recursos naturais.
Finalmente, a reciclagem é um processo um pouco mais complexo, que envolve toda a cadeia de produção de um bem, desde quem fabrica até quem compra, em especial o poder público que é o responsável maior pelo tratamento dos resíduos sólidos.
O primeiro passo para praticarmos a ação de RECICLAR é separarmos os resíduos ainda em nossos lares. Os resíduos recicláveis, como o plástico, metais e papel, devem ser separados do chamado resíduo orgânico, como restos de comida e cascas de alimentos. Em tese, o reciclável deveria ser encaminhado para empresas ou cooperativas de trabalhadores, a fim de que fossem transformados novamente em matéria-prima para retornar ao ciclo produtivo. Além de gerar renda e emprego, essa é uma atitude que alivia o meio ambiente, na medida em que certos resíduos vão levar anos ou séculos para serem decompostos.
Quase tudo pode ser reaproveitado, o que reduz a necessidade de retirarmos da natureza novos componentes para produção de bens. Se analisarmos o processo de decomposição de alguns produtos, como plásticos, que demoram mais de 100 anos para se decompor, vamos chegar à conclusão da gravidade de não dispormos de uma gestão eficiente, no que tange ao tratamento de resíduos sólidos. Não é incomum encontrarmos resíduos lançados em ruas e avenidas, nos córregos e no próprio Lago Paranoá. No DF, quase tudo o que é coletado é levado para o Lixão da Estrutural, com suas toneladas de lixo acumulado e condições de insalubridade que em muito envergonham todos os brasilienses.
Praticamente nada do que consta no plano de resíduos sólidos foi implantado: há previsão de construção de 7 áreas de tratamento e transbordo (ATTRs), mediante concessão de uso de áreas públicas; 12 unidades de triagem em terrenos de cooperativa e 4 galpões de triagem do SLU; 2 usinas de compostagem dentro da área da RIDE; 1 aterro de resíduos perigosos para receber resíduos hospitalares e desativar o incinerador da Ceilândia. Além disso, há previsão de construção de 100 Ecopontos, em áreas indicadas por todas as Administrações Regionais, mediante licença ambiental do IBRAM, o que permitiria às pessoas disporem de um lugar próximo ao local de moradia para depositar resíduos de reformas, podas etc.
O prazo fixado na Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada pela Lei Federal nº 12.305/2010, para que os lixões fossem fechados expirou em agosto de 2014. Do mesmo modo, há várias leis distritais que versam sobre coleta seletiva. Muito pouco foi feito, lamentavelmente, disso decorre a situação atual.



