
Por Mara Paraguassu
A política é surpreendente. Quem imaginaria José Sarney presidente da República, então vice de Tancredo Neves, candidato vitorioso do PMDB pela Aliança Democrática, que adoeceu e morreu deixando comovida e atônita uma multidão de brasileiros?
Outro mineiro, Itamar Franco, decidiu às pressas ser vice na chapa de Fernando Collor de Melo. Descrito por cronistas políticos como personagem que faz tudo errado mas dá tudo certo – o Forrest Gump da política mineira -, virou presidente da República após Collor sofrer impeachment em 1992.
Quem tinha a pretensão de ser presidente pelo PSDB era Tasso Jereissati. Mas o político e empresário do Ceará abriu mão porque o terceiro ministro da Fazenda de Itamar Franco, o professor Fernando Henrique Cardoso, navegava na popularidade do Plano Real, colocando fim à crônica inflação, nunca debelada em tentativas anteriores.
Ulysses Guimarães queria a presidência da Presidência da República desde os anos 70, quando se destacava como oposição ao governo militar. Mesmo com alta popularidade por ter presidido a Câmara dos Deputados na época da Constituinte de 87-88, sua tentativa fracassou em 1989, abandonado pelo próprio partido na primeira eleição direta após o fim da ditadura.
Salvo engano, foi o Senhor Diretas quem disse ser destino a presidência da República. O destino não chegou para alguém como ele, com onze mandatos de deputado federal, mas chegou para Dilma Rousseff, nunca antes submetida ao escrutínio popular.
Nem chegou para o polêmico governador Carlos Lacerda, que apoiou os militares na deposição de João Goulart, logo se desencantou com o presidente Castelo Branco, anunciou candidatura, mas as eleições foram suspensas. Sabemos até quando.
Vivemos agora outra circunstância muito especial. A comissão do impeachment da presidente Dilma aprovou com 38 votos e 27 contrários o processo de afastamento. Quem sabe o vice Michel Temer venha trocar o Palácio Jaburu pelo Palácio da Alvorada.
A conferir.
Contas
O PMDB faz as contas, mapeia os votos na Câmara dos Deputados, e contabiliza 334 votos no Plenário a favor do impeachment de Dilma Rousseff. Parece difícil o governo reverter a tendência pelo afastamento da presidente, havendo dois fatores de peso para isso: é ano de eleição e a economia patina. Mas vale sempre lembrar: a política é surpreendente.
* Mara Paraguassu é jornalista desde 1989 e escreve sobre política, Amazônia, cidadania





