Grupo liderado pelo jovem advogado Guilherme Campelo quer atrair os advogados excluídos pelas últimas diretorias e focar no apoio as secionais das cidades e aos mais jovens
Há duas décadas dois grupos tradicionais da advocacia brasiliense vem se revezando à frente da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF). Essa disputa elitista é comparada a velha política do coronéis, onde só tem vez as maiores bancas políticas. A eleição deste ano, que acontece em novembro próximo, os advogados medalhões pretendem de novo elitizar a disputa.
O advogado tributarista Guilherme Campelo, candidato a presidente da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF), lidera o Movimento INOVOAB. Ele pretende integrar a OAB-DF, trazendo a base para participar das decisões da Ordem. “Vamos acabar a polarização, estamos cansados. São 18 anos sempre os mesmos. As mesmas figurinhas carimbadas. A velha OAB. Pagamos uma anuidade alta e não temos contrapartida. O jovem advogado quer o apoio da ordem. A entidade tem hoje em torno de 30% de jovens advogados”, desabafa Campelo.
Só na eleição passada foram 12 mil advogados que não votaram, em um colégio eleitoral de 30 mil. Essa abstenção foi maior que o votos recebidos pela atual diretoria. Isso mostra a insatisfação da classe. “A minoria está elegendo as gestões. Eles não se sentem respeitados pela instituição. Muitos usam a OAB como trampolim para promover o seu escritório ou concorrer a outros cargos. Isso vai mudar”, acrescenta Campelo.
Para o candidato do Movimento INOVOAB, os advogados nas cidades não tem condições de trabalho, não tem apoio da OAB-DF.
Guilherme Campelo, mesmo de uma família tradicional de advogados, nunca participou de nenhuma direção da OAB e de nenhum dos grupos que se revezam no comando da Ordem. Ele se apresenta como o novo, e que vai fazer a diferença. E diferente do que as atuais gestões vem fazendo. “Eu não preciso me promover, fazer clientela, minha família tem escritório desde a década de 60 em Brasília. O meu discurso é o de mostrar propostas viáveis para a advogacia, enquanto eles estão se atacando. Queremos mostrar proposta para a própria classe”.
Para muitos advogados, hoje a OAB-DF não serve para nada. Por isso a abstenção aumenta a cada pleito. Os advogados não se sentem valorizados. É o caso de Ricardo Mirante, com 21 anos de formado, que desabafa: “A OAB-Df hoje não serve para nada, nunca auxiliou na minha profissão em nada, não serve pra nada. E é assim que sentem muitos dos advogados.
Entre as propostas estão:
- Reduzir pela metade a anuidade da OAB-DF no primeiro ano de gestão.
- Transferir, uma vez por mês, a sede da seccional para uma subseção do entorno, colocando membros do conselho à disposição dos advogados e realizando atividades especiais.
- Construir creches para filhos de advogados, atendendo principalmente Taguatinga, Gama e Sobradinho.
- Sistema push para avisar os advogados de atualizações do portal de transparência da OAB-DF.
- Retomar o Programa de Apoio ao Estudante de Direito.
- Instalar computadores na sede da seccional e nas subseções para uso coletivo dos advogados.
- Retomar o Prêmio Maurício Corrêa.



