Visita do nadador cego ao CEF 02 de Brasília encantou estudantes e educadores.
As atividades da Semana Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência, no Centro de Ensino Fundamental 02 de Brasília, tiveram uma participação especial. O nadador cego, Wendell Belarmino, esteve na unidade de ensino para contar trajetória de vida e, claro, mostrar as medalhas faturadas nos campeonatos deste ano, que representam o resultado da dedicação, superação e persistência.
A ideia de chamá-lo partiu da educadora Patrícia Marangon, que atua na sala de recursos do CEF 02, e foi professora de Wendell do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, no Centro de Ensino Fundamental da 405 Sul. “A ideia foi exatamente de ele dar este depoimento não só sobre o sucesso no esporte como na vida acadêmica. Ele foi sempre um aluno brilhante.
Por diversas vezes, foi destaque e nunca se abateu. Quando houve uma perda maior da visão, ele prontamente conseguiu se adaptar aos novos recursos e seguiu a vida”, afirmou.
O contato com a natação foi aos três anos de idade para estimular a coordenação motora. O gosto pela modalidade aflorou e, atualmente, aos 21 anos de idade, o atleta coleciona muitas vitórias. As mais recentes ainda resultam em comemorações. Ele conquistou quatro medalhas de ouro e duas de prata nos Jogos Parapan-Americanos, em Lima, no Peru, em agosto. De lá, foi para Londres, onde participou do Campeonato Mundial de Natação Paralímpica que rendeu outras três – ouro, prata e bronze.
A repercussão da ida de Wendell ao CEF 02 não poderia ser diferente.
“Foi enriquecedora a participação dele. Foi inspiração de vida e de superação. Ele mostrou que independentemente das limitações e dificuldades da vida tudo é possível. Basta acreditar no seu potencial”, comentou Stefanne Moreira Bezerra, professora de Educação Física do CEF 02 de Brasília.
A estudante Maria Luíza Alves de Oliveira, 12 anos, também se encantou com o atleta.
“É uma participação inédita. È como se ele fosse o Neymar da natação ele é muito simpático, ele tem cara de ser muito legal. É uma inspiração para a gente mostrando que não é porque a gente tem uma dificuldade que a gente deve desistir”, avaliou.
Os estudos de Wendell ocorreram na rede pública de ensino do Distrito Federal. Ele passou pelo Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais, onde houve a alfabetização, pela Escola Classe 410 Sul, Centro de Ensino Fundamental 405 Sul e Setor Leste. Além disso, aprendeu inglês no Centro Interescolar de Línguas de Brasília.
Ao visitar o CEF 02 de Brasília, ele recordou o tempo de sala de aula.
“Fiquei muito feliz e grato com a receptividade e atenção dos alunos e professores. Foi construtivo tanto para eles quanto para mim”, concluiu o medalhista.
Wendell nasceu com glaucoma congênito e passou por seis transplantes de córnea. Mesmo assim, a perda da visão tem sido gradativa. Só restam, hoje, 3% de resíduo visual. Mas, isso não freia os sonhos deste jovem. Muito pelo contrário. O foco, agora, é garantir uma vaga nas Olimpíadas de Tóquio, no Japão, no ano que vem. E para isso os treinos seguem intensos ocorrem de segunda a sábado.




