
Por Janine Brito
Os números assustam e revelam uma realidade particularmente triste para nós, mulheres, que constantemente sofremos abusos emocionais, psicológicos e, sobretudo, físicos.
Já na primeira semana do ano, o Brasil ocupou o 5º lugar entre as maiores taxas de feminicídio, ou seja, o quinto país que mais mata mulheres no mundo, em um universo de 83 países. Foram mais de dez casos e isso é deveras preocupante, uma vez que os crimes são motivados por ódio ao feminino. De igual forma, um estudo do Global Americans Reports, datado deste ano, afirma que nosso país é o pior em termos de violência de gênero na América Latina.
O Brasil instituiu o crime de feminicídio com a Lei nº 13.104, conhecida como Lei do Feminicídio, promulgada pela presidente Dilma Rousseff em 9 de março de 2015. Há quem se pergunte: crime contra a mulher só se configura se o ato for cometido pelo marido ou namorado? Falso. A lei engloba circunstâncias diversas, ainda que a maioria seja cometido por parceiro ou ex-parceiro. E, é claro,envolver violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
Eu, particularmente, não aceito que justifiquem feminicídio com ciúme ou traição. Não existem argumentos e nem desculpas que justifiquem a violência. E é nesse cenário desolador que muitos lares deixaram de ser abrigo para se transformar em prisão. O mais repudiante é ver que a situação envolve muito dos aspectos socioculturais de uma sociedade patriarcal.
A mídia que propaga é a mesma que educa, portanto, os meios de comunicação também são igualmente responsáveis pelas mensagens que transmitem em seus canais. No caso do feminicídio, deve-se evitar uma exposição da vítima, sem punir ou culpa-la. Num mundo de temperamentos tão coléricos, precisamos ser mais empáticos e nos colocarmos no lugar do outro.
Não é não, pois a vontade da mulher, e seu espaço, devem ser respeitados acima de tudo.
Diretora executiva da Ferragens Pinheiro *




