
Advogado morreu por infecção após cirurgia de transplante de medula. ‘Sempre procurou a conciliação e foi um construtor de pontes’, disse presidente do STF, Dias Toffoli
Por G1 DF –
O corpo do advogado e ex-deputado federal Luiz Carlos Sigmaringa Seixas, morto aos 74 anos em São Paulo, nesta terça-feira (25), começou a ser velado na manhã desta quarta (26) no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul, em Brasília. O enterro está marcado para as 16h30.
Sigmaringa Seixas estava internado no Hospital Sírio-Libanês, onde fez transplante de medula para combater uma mielodisplasia – um tipo de falência da medula óssea na produção de células. Depois da cirurgia, o jurista ficou com baixa imunidade e foi atacado por uma infecção.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Tofolli, afirmou que o advogado teve um papel extremamente relevante na redemocratização do Brasil. “Ele foi deputado constituinte, relator do capítulo sobre autonomia do Distrito Federal na constituinte e prestou um serviço para a nação nessa transição democrática”, declarou.
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“Depois da transição democrática, sempre procurou fortalecer a democracia brasileira e lutou pelos melhores ideias. Sempre procurou a conciliação e foi um construtor de pontes. Fará muita falta para a política brasileira.”
Amigo pessoal de Sigmaringa Seixas, o deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF) disse que o advogado era “um dos homens mais humildes” que conheceu na vida política. “É uma pessoa que Brasília inteira respeita, de todas as ideologias e camadas da sociedade. É um homem insubstituível”, afirmou.
Deputado federal por quatro mandatos, Jofran Frejat (PR-DF), disse que o jurista “sempre foi um grande conciliador, mesmo com os adversários” e lamentou a partida do amigo. “A gente tinha combinado de tomar um vinho juntos, mas acabou não dando. Mas Deus vai ajudar e nós vamos tomar esse vinho”, brincou.
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O governador eleito do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), disse que sempre buscou se aconselhar com o colega de profissão, o qual “sempre tinha boas palavras”. “Nós estamos perdendo um homem público da mais alta qualidade na cidade. Brasilia neste momento está em prantos pela perda deste grande homem que foi Sigmaringa Seixas”, declarou.
O ministro da Justiça, Torquato Jardim, disse que o advogado era um exemplo para a profissão: “Sempre desprendido na busca da justiça. Em momentos difíceis da vida nacional ele teve uma presença muito marcante pelo amor à democracia, à liberdade”.
História
Nascido em Niterói (RJ) e formado em Direito na Universidade Federal Fluminense (UFF), Luiz Carlos Sigmaringa Seixas se mudou para Brasília na década de 1970. Na capital, ocupou o cargo de conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) de 1976 a 1984.
O jurista ficou conhecido por defender presos políticos e estudantes durante a ditadura militar. Com a abertura democrática, tornou-se parlamentar.
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Sigmaringa Seixas foi eleito deputado federal para a Assembleia Nacional Constituinte de 1987, pelo PMDB-DF, e transitava com facilidade no ambiente político.
Ele teve outras duas passagens pela Câmara dos Deputados, sempre por diferentes partidos: pelo PSDB, de 1991 a 1995, e pelo PT, de 2003 a 2017.
Em 1994, o advogado foi candidato ao Senado pelo PSDB, mas recebeu 10,51% dos votos e não foi eleito. As vagas ficaram com Lauro Campos (PT) e José Roberto Arruda (PP).
Repercussão
A morte dele foi lamentada por diversas autoridades em notas oficiais e redes sociais. O presidente da República, Michel Temer (MDB), o chamou de “lutador pela democracia brasileira”. O governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), decretou luto oficial de três dias na capital.
A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba, pediu à Justiça para que o cliente pudesse ir ao funeral do amigo, mas a requisição foi negada pelo juiz Vicente de Paula Ataide Junior. Lula e Sigmaringa são amigos há mais de 30 anos, conforme o pedido.



