De acordo com levantamento, são 22 mortes de mulheres este ano
“Vamos lembrar de Talita Silva Martins. Ela foi assassinada em casa pelo namorado. Teve o corpo amassado e incendiado na Samambaia. Talita, presente!”. O relato era uma referência à mulher assassinada pelo companheiro em 14 de maio na região administrativa de Samambaia, região administrativa do Distrito Federal, que fica a 30 quilômetros do centro de Brasília.
“O Brasil é o quinto país que mais mata mulheres no mundo. Isso não é normal. Chega. Chega de machismo. Direito à vida, queremos viver, sermos felizes”, disse uma das manifestantes. “Que sejamos respeitadas, que venhamos a ocupar os nossos lugares. Por nenhuma a menos. Respeito por todas nós”, afirmou outra participante do ato.
Segundo a integrante do Fórum de Mulheres do Distrito Federal e Entorno, Leonor Costa, os números são assustadores. “Houve aumento do ano passado pra cá e isso mostra a negligência do Estado com o problema da violência contra a mulher. A sociedade continua sendo violenta. Várias das 22 mulheres assassinadas já tinham registrado algum tipo de ocorrência contra o agressor e nada foi feito”.
Leonor defende uma mudança do comportamento de instituições de Estado, como as delegacias de Atendimento à Mulher e as forças de segurança em geral, o Ministério Público e os órgãos governamentais que prestam atendimento de mulheres ameaçadas, para que a proteção seja garantida às mulheres que denunciam.
Segundo Cláudia Macedo, da organização Coturno de Vênus – Associação Lésbica de Brasília, ainda há o problema de casos de feminicídios contra lésbicas, como o assassinato de Anne Mickaelly, jovem esfaqueada pelo pai da namorada em janeiro deste ano depois de um pedido de casamento. Episódios como esse, diz Macedo, não são contados e considerados com essa especificidade.
A ativista, uma das organizadoras do ato, relatou à Agência Brasil que diversas organizações feministas e de lésbicas já cobraram medidas do Poder Público. A Câmara Distrital organizou no ano passado uma audiência pública sobre o tema. O problema também está no Judiciário. Ela cita como exemplo uma das mulheres assassinadas, que teve o pedido de medida protetiva negado pela juíza responsável pelo caso.
“A gente criou um grupo de trabalho sobre feminicídio na secretaria de políticas para mulheres do GDF e nada foi feito. A gente vem, ano após ano, reivindicando, seja no Executivo seja no Legislativo, e as mortes não param porque o Estado não se responsabiliza”, disse a ativista à Agência Brasil.



