OPINIÃO// Palácio do Buriti sofre do Complexo de Poliana

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O governo Rodrigo Rollemberg (PSB) vem “sofrendo” com o Complexo de Poliana e tenta incutir no inconsciente popular o mesmo sentimento, levando o brasiliense à ilusão de achar que está tudo bem.

A expressão “Complexo de Poliana” surgiu com o livro “Poliana Moça”, onde a protagonista só via o lado bom e humano das coisas. Ela era incapaz de ver maldade nas pessoas.

Lançado em 1915, a autora Eleanor H. Porter conta a história de uma garota que criou com seu pai o jogo do contente (uma brincadeira na qual sempre se deve ver o lado bom de tudo que acontece).

A estratégia não vem dando certo porque não é fácil produzir notícias positivas num mar de problemas estruturais e de administrativos. Por mais que o governo Rollemberg se esforce, o brasiliense vive de fato na mais dura realidade.

O dia a dia está aí para todos verem. É aumento de passagem de transporte coletivo, buracos na rua, greves em diversos setores essenciais do serviço público, IPTU e IPVA com valores maiores do que se devia, hospitais e postos de saúde com muitos problemas e uma letargia administrativa.

Além disso, a briga de egos e facções dentro do Executivo complica ainda mais a vida de Rollemberg. O primeiro escalão pode ser dividido em três categorias: os que possuem poder, os deslumbrados pelo poder e os que acham que têm poder.

Uma coisa em comum entre os três tipos: todos não levam a verdade nua e crua do descontentamento popular ao governador. Ou para isolá-lo da realidade ou por medo de ser portador de notícias ruins e terem seus cobiçados cargos ameaçados.

Há, ainda, uma eminência parda. Uma éminence grise (francês) é um poderoso assessor ou conselheiro que atua nos bastidores ou na qualidade não-pública ou não-oficial. E tem o controle do governo ou do governante. É alguém que não tem empregador e tenta diminuir quem tem.

O governo, isolado da realidade do que se passa nas ruas e nos gabinetes vizinhos ao seu, tenta pelo menos que a população ache que não existem problemas. Ou que a culpa é do anterior. Ou do Legislativo. Ou do Judiciário. Ou dos sindicatos. Ou da crise financeira. Ou da população. Mas nunca dele. Assim é orientado.

Eu também sofro de Complexo de Poliana, o que me leva a ver o lado bom das coisas. Esse conjunto de complicações que Rollemberg vem enfrentando pode servir para que, quem sabe um dia, acorde e tome as rédeas de seu governo.

Afinal, não estão todos cegos e surdos. Mas, muitos estão mudos e não relatam as causas e consequências que levariam a um triste rumo um governo que veio prometendo algo diferente.

Mas, segundo um assessor do Palácio do Buriti, Rollemberg estaria bem acordado e a única coisa que ainda tira o seu sono é a crise financeira. O resto vai bem. Assim são os conselhos que recebe. O governo não teria culpa.

Espero que o Complexo de Poliana possa servir para o governador receber as críticas pelo lado construtivo. Em meu Complexo de Poliana, acredito que Rollemberg irá, de verdade, tornar Brasília uma cidade melhor. E vencer a guerra da comunicação. Ele, o governador, e não prepostos.

 

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