Por Ricardo Callado, do Anexo 6
Como governantes, Agnelo Queiroz (PT) e Rodrigo Rollemberg (PSB) tem muitas diferenças. Agem de formas opostas. Mesmo assim, tem avaliação semelhante pela opinião pública. Não precisa esperar pesquisas para saber disso. Basta tocar no assunto no local de trabalho, em casa, nas rodas de amigos. O governo atual não empolga. Assim como o anterior foi um desastre.
A irresponsabilidade com as contas públicas desastradamente promovida por Agnelo é o principal motivo por sua avaliação negativa.
A responsabilidade com as contas públicas rigorosamente promovida por Rollemberg é o principal motivo por sua avaliação negativa.
Porque o antagonista de ações leva a população a desagradar com as duas administrações? Por que nem uma ação, nem a outra, são simpáticas.
Agnelo promoveu o vale tudo para poder se reeleger. E arrombou as contas do governo. Fez o que não podia. E ainda não conseguiu lucrar politicamente por pura incompetência.
Tirando o descontrole financeiro, o governo Agnelo, pasmem, não foi um ruim. O investimento na área da saúde, por exemplo, foi um dos maiores. Faltou gestão. E faltou mostrar isso para a população.
O programa Morar Bem foi bem-sucedido. Após dez meses de governo, Rollemberg ainda entrega apartamentos iniciados pelo anterior.
Nunca um governo deu tantos aumentos ao servidor público. E é odiado por boa parte funcionalismo. É incompreensível, assim como tudo em Agnelo.
Rollemberg administra o caos. E não montou a melhor equipe esses dias difíceis. Se perde em decisões equivocadas. Ouve pessoas erradas. Administra como se tivesse num gabinete no Senado.
Vem se superando a cada dia. Sem dinheiro para cumprir os reajustes acertados no governo anterior e para pagar dívidas também feitas por Agnelo, vem quebrando a cabeça para arranjar recursos.
Os cortes estão por todos os lados. A responsabilidade financeira é implacável e atinge não só regalias, mas o próprio dia a dia do servidor e dos serviços públicos. E atinge também a população.
Algumas decisões, como o aumento nos preços do restaurante comunitário, são consideradas desnecessárias. Não fazem nem cócegas na solução do rombo financeiro. E causam um desgaste gigante. Quem soprou a dica no ouvido do governador deve ser da turma da esquerda caviar. Os supostos vestais da moralidade.
Se hoje a irresponsabilidade e a responsabilidade administrativas levam ao caminho da mal avaliação, em breve eles se separam. Se hoje as causas, que são diferentes, produzem o mesmo efeito na população, vai chegar o momento em que os fins mostrarão a diferença.
A irresponsabilidade leva ao caos. A responsabilidade, por mais antipática que seja hoje, lá na frente coloca a casa em ordem.
E é preciso deixar isso bem claro para população. Não de forma acadêmica, porque não serão entendidos. A linguagem devem ser outra.
Agnelo não conseguiu aproveitar os pontos positivos do seu governo por não saber se comunicar. Rollemberg comete o mesmo erro. E, quanto a isso, os caminhos não se separam nem hoje, nem lá na frente, porque a filosofia é a mesma. A fonte é a mesma. O mais do mesmo.





