Por Ricardo Callado
O governador Rodrigo Rollemberg vive seu pior momento na vida pública. O entusiasmo de levar a Geração Brasília ao poder, se tornou pesadelo. Pegou um governo destroçado. Em estado falimentar. E não soube tomar as medidas necessárias logo quando assumiu, mal aconselhado que foi.
Nove meses depois, Rodrigo pede por socorro. Não tem mais as rédeas da crise. Depende de tudo e de todos. Ações isoladas do Executivo amenizam a crise, mas não resolvem. O governo só sai dessa situação se houver uma união de todos: GDF, União, Legislativo, Judiciário, sindicatos, associações, setor produtivo e da sociedade. Todos terão que pagar parte da conta.
O problema é o que governo falha na comunicação, por exemplo, o aumento de impostos. Visto a grosso modo, dá a entender que o sacrifício será bem maior do está proposto realmente. É preciso uma linguagem mais acessível. A forma usada para se comunicar só leva o governo a mais desgaste.
O aumento de imposto para bebidas, cigarros e TV a cabo são aceitáveis. O ICMS de eletrônicos também não é nada do outro mundo. O tributo de doações só vai atingir grandes fortunas. Quem doar dinheiro ou bens a um filho, por exemplo, de valor não tão astronômico, vai pagar menos de imposto. E ninguém do governo consegue explicar isso a sociedade. Parece Agnelo 2.
Algumas medidas terão um impacto muito negativo para o governo, mesmo que necessárias e inevitáveis. Tarifa do transporte coletivo (ônibus e metrô) vai atingir diretamente o bolso do trabalhador de baixa renda. Restaurante comunitário, idem.
Aliás, esses restaurantes bem que podiam atender a rede pública de saúde. A economia ia ser bem representativa. Era apenas adaptar o cardápio. É de perguntar porque refeição de hospital é ruim e ao mesmo tempo cara para o governo. Quem sabe, estender também ao sistema penitenciário. É só cortar os contratos milionários e as comissões.
Os aumentos de impostos e tarifas acabarão sendo digeridos pela população, muito a contragosto. Fica o desgaste para o governo. A repercussão será muito negativa. Mas nada será tão barulhento quanto o que os sindicatos estão preparando.
O funcionalismo vai parar. E Brasília vai viver o caos. A suspensão do reajuste, atraso de salários e horas-extras e a ameaça de extinção da Licença Prêmio nos moldes que é hoje é o combustível perfeito para os sindicalistas colocarem fogo na cidade. E eles não estarão errado. Defendem o servidor público e os seus direitos adquiridos.
O grande problema do governo desde o início é a falta de diálogo. A arrogância inicial por parte de interlocutores do Buriti, deu lugar ao caos. A arrogância levou a essa situação. Delegaram poder a pessoa errada.
O que mais se vê são entidades sindicais reclamando que não são chamadas para construir uma pauta conjunta com o governo. Propostas que poderiam ajudar o GDF a melhorar as finanças e suas relações. Só chamam quando algum pacote ou decisões já estão prontas. Assim também são tratados os deputados distritais.
Não adianta apelar e pedir apoio se foi uma construção de mão única. Essa pauta do servidor público vai parar nos tribunais. E é muito provável uma derrota do governo. Se não houver uma união, a crise vai ser longa. E todos nós pagaremos um preço muito alto. Essa semana será decisiva para o Governo. Pelo menos quatro projetos do Buriti deverão ser discutidos no plenário da Câmara Legislativa.





