Br.ino já alcançou mais de 30 mil estudantes e capacitou 600 educadores com metodologia que une tecnologia e ensino
Brasília, 27 de outubro de 2026 – O que começou como uma tentativa de facilitar o uso de placas eletrônicas programáveis se transformou em uma empresa de educação tecnológica. Criada em 2017 por um grupo de jovens de Brasília, a Br.ino Robótica Educacional desenvolveu inicialmente uma ferramenta que permitia programar placas Arduino com comandos em português. A experiência nas escolas, porém, revelou que a barreira do idioma era apenas parte do desafio para ensinar robótica.
A iniciativa evoluiu para uma metodologia que reúne equipamentos, livros, planos de aula, atividades práticas e formação de professores. Atualmente, segundo a empresa, a Br.ino já alcançou mais de 30 mil estudantes, capacitou mais de 600 educadores e estabeleceu parcerias com mais de 30 escolas em diferentes regiões do país.
“A necessidade não era apenas por um robô ou por uma oficina, mas por um sistema completo de educação tecnológica”, afirma o sócio-fundador Victor Pacheco.
Da programação em português à sala de aula
A Br.ino surgiu do interesse de Gabriel Pacheco, Mateus Berardo, Giulia Fricke, Rafael Mascarenhas e Victor Pacheco por programação, robótica e educação. Durante o desenvolvimento do projeto, o grupo identificou dificuldades enfrentadas por iniciantes, especialmente por aqueles que não dominavam o inglês, não tinham acesso a equipamentos específicos ou encontravam poucas oportunidades de aprender com profissionais especializados.
Uma das primeiras soluções foi adaptar os comandos utilizados nas placas Arduino, dispositivos eletrônicos que permitem criar robôs, sensores e projetos de automação. A ferramenta facilitava o primeiro contato com a programação, mas a aplicação nas escolas mostrou que também era necessário organizar conteúdos e preparar os educadores.
A empresa passou, então, a oferecer uma solução mais ampla, com atividades adaptadas às diferentes faixas etárias. Nos primeiros anos escolares, os estudantes aprendem por meio de histórias, brincadeiras e desafios. Conforme avançam, desenvolvem projetos que envolvem programação, automação e inteligência artificial.
“Os estudantes deixam de ocupar apenas uma posição de consumidores de tecnologia. Eles passam a planejar, montar, programar, testar, identificar erros e melhorar seus próprios projetos”, destaca Victor.
A proposta também utiliza os erros como parte do processo de aprendizagem. Quando um robô não executa o movimento esperado, por exemplo, os alunos precisam investigar o problema, corrigir a programação e testar novas soluções.
Para os professores, a implantação inclui formação prática, planejamento e acompanhamento pedagógico. As atividades podem ser incorporadas às disciplinas regulares, desenvolvidas em projetos interdisciplinares ou oferecidas no contraturno, em oficinas, clubes de robótica e equipes de competição.
Entre as instituições parceiras citadas pela empresa estão o Centro Educacional Leonardo da Vinci, o Colégio Olimpo, a Escola Americana de Brasília, a Escola Canadense de Brasília, o Colégio Moraes Rego, o Marista Asa Sul e a Brasília International School.
Apoio à inovação e expansão do negócio
A consolidação da metodologia ocorreu gradualmente, à medida que escolas ampliaram as parcerias e buscaram capacitar novos professores. Para atender instituições com diferentes estruturas, a empresa organizou os conteúdos, os materiais e os processos de acompanhamento pedagógico.
Nesse percurso, a Br.ino participou do Start BSB, programa de apoio a startups da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF). Em 2021, foi selecionada para a terceira fase da iniciativa, voltada à aceleração e à consolidação de negócios.
Posteriormente, a empresa também foi selecionada no edital do Programa Tecnova III, em 2024, com o projeto “TechEdu: Metodologia para o Ensino de Robótica”, coordenado por Gabriel Rodrigues Pacheco. A iniciativa recebeu R$ 560 mil para um período de 12 meses.
O recurso é destinado ao aperfeiçoamento dos kits de robótica, à produção e aos testes de materiais didáticos, à formação de professores e à aplicação da metodologia em ambientes escolares. Essas etapas permitem avaliar a facilidade de uso dos equipamentos, sua resistência à rotina das turmas e o envolvimento dos estudantes nas atividades.
Novas tecnologias no ensino
Entre os próximos objetivos da Br.ino estão o desenvolvimento de novos kits nacionais de robótica e eletrônica e a criação de plataformas digitais de apoio aos professores.
Para o ensino médio, a empresa pretende ampliar os conteúdos relacionados à inteligência artificial, ciência de dados, desenvolvimento de jogos, automação e engenharia.
A proposta é aproximar tecnologias consideradas complexas da realidade de estudantes e educadores, estimulando a criatividade, a resolução de problemas e a participação dos jovens no desenvolvimento de soluções tecnológicas.






