Luchsinger diz que quer fazer delação e não poupará Lula nem Lulinha

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Em entrevista à CNN Brasil, empresária afirmou ter informações além das mensagens de WhatsApp; presidente e defesa de Fábio Luís negam irregularidades e contestam declarações

Da Redação

A empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmou, em entrevista exclusiva à CNN Brasil neste sábado (17/10), que deseja firmar um acordo de colaboração premiada no âmbito das investigações sobre suspeitas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo ela, uma eventual delação poderá incluir informações relacionadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

Investigada pela Polícia Federal (PF) por suspeita de tráfico de influência, Luchsinger declarou que pretende apresentar informações que não constam das mensagens de WhatsApp analisadas no curso das apurações.

A empresária também criticou Lula, acusou o presidente de expô-la publicamente e afirmou que não pretende omitir informações sobre pessoas eventualmente relacionadas aos fatos investigados.

Em manifestações encaminhadas à CNN, a equipe de comunicação do presidente negou qualquer relação de Lula com a empresária. A defesa de Fábio Luís também rejeitou as acusações e afirmou que ele não cometeu irregularidades.

Luchsinger afirma que pretende firmar acordo de delação premiada

Durante a entrevista, Roberta Luchsinger manifestou disposição para colaborar formalmente com a Polícia Federal.

A empresária, de 41 anos, é diretora da RL Consultoria e Intermediações e foi alvo de medidas judiciais no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo benefícios previdenciários.

Entre as medidas mencionadas estão mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e valores e determinação de uso de tornozeleira eletrônica.

Ao comentar a possibilidade de colaboração, Luchsinger afirmou:

“[A Polícia Federal] vai poder fazer o trabalho dela investigativo e contar com minha absoluta colaboração. Eu não vou poupar ninguém. Pode ser o presidente da República, que a meu ver é um grande mau caráter, é um grande mentiroso, e eu repito, um grande covarde. Não vou poupar filho de presidente, ninguém, porque o que está em questão é a verdade”.

A manifestação de interesse, entretanto, não significa que um acordo de colaboração premiada tenha sido celebrado ou aceito pelas autoridades.

Empresária diz ter informações além das conversas de WhatsApp

Questionada sobre o que poderia acrescentar às investigações, Luchsinger afirmou possuir conhecimentos sobre situações que não estariam documentadas nas mensagens de seu telefone.

“O que eu teria a acrescentar? Talvez detalhes que não estão ali dentro do WhatsApp, porque a vida da gente não é só no WhatsApp, é no mundo normal. Você conversa com as pessoas, fala sobre projetos. Você sabe das coisas, assiste coisas, vê coisas, tem como colaborar, muitas das vezes, com coisas que você não participou, mas assistiu”, declarou.

A empresária não detalhou publicamente, nos trechos apresentados da entrevista, quais seriam esses fatos nem apresentou documentos que permitissem verificar suas afirmações.

Ela reiterou que pretende procurar os mecanismos legais para colaborar com a investigação quando houver oportunidade.

“No momento que a Justiça julgar que é o momento adequado, porque existe uma trâmite legal para isso, eu estarei lá, pronta para colaborar. Eu quero fazer uma delação premiada, sabe por quê? Porque eu não tenho pai presidente, não tenho mãe presidente. Eu sou uma mulher com duas filhas e estou tendo uma máquina pública sendo movimentada em cima de mim”, afirmou.

Lula chamou empresária de “pilantra” e a comparou a Vorcaro

A entrevista também abordou declarações anteriores de Lula sobre Roberta Luchsinger.

Em entrevistas concedidas à TV Globo, em 27 de agosto, e ao Flow Podcast, no início de outubro, o presidente fez críticas à empresária e a comparou ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

“Pelo o que eu sei, ela é uma pilantra muito grande. Ela muito se assemelha ao Vorcaro, porque o Vorcaro conseguiu enganar um monte de gente e ela também parece que enganou um monte de gente. Deve ser o Vorcaro feminino, porque ela conseguiu passar por muita gente, conversar com muita gente”, declarou Lula.

Luchsinger reagiu às afirmações e acusou o presidente de agir de maneira inadequada ao fazer comentários públicos sobre sua conduta.

Ela também afirmou que não pretende assumir sozinha a responsabilidade por eventuais irregularidades investigadas.

“Não serei o boi de piranha que tanto querem colocar tudo em cima de mim. O que eu fiz, se for crime, vou responder, vou me defender, vou responder ao devido processo legal que, aliás, é uma coisa que o presidente da República sempre disse muito sobre ele, mas sobre os outros a gente vê que é o contrário”, afirmou.

Presidência nega contato de Lula com Roberta Luchsinger

Em nota divulgada à CNN Brasil, a equipe de comunicação do presidente afirmou que Lula desconhece os fatos relatados pela empresária.

Segundo a manifestação, o presidente jamais manteve interlocução com Luchsinger, não recebeu demandas apresentadas por ela e não tem conhecimento das supostas tratativas mencionadas.

A nota também afirma que não existe contrato do governo federal com Roberta Luchsinger.

A equipe presidencial questionou o momento escolhido para a divulgação das declarações, a uma semana do segundo turno das eleições.

“Causa estranheza que essas declarações sejam lançadas justamente às vésperas do segundo turno da eleição”, afirmou a comunicação de Lula.

A manifestação acrescentou que denúncias sem comprovação podem ser utilizadas para influenciar a opinião pública durante períodos eleitorais e classificou as declarações como uma tentativa de interferir no processo democrático.

Trata-se da posição apresentada pela equipe do presidente em resposta às acusações da empresária.

Defesa de Lulinha nega irregularidades e contesta acusações

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva também encaminhou manifestação à CNN Brasil, negando qualquer participação do filho do presidente em atividades ilícitas.

Segundo os advogados, Fábio Luís colocou-se à disposição da Justiça e teve dados bancários, fiscais e telemáticos disponibilizados no âmbito das investigações.

A defesa afirmou que os relacionamentos de Lulinha com integrantes do meio político, inclusive pessoas que posteriormente assumiram cargos ministeriais, são de natureza pessoal e decorrentes de vínculos estabelecidos desde a infância.

Os advogados também contestaram as declarações de Roberta Luchsinger.

“As recentes insinuações públicas de Roberta Luchsinger são incompatíveis com seu depoimento às autoridades”, afirmou a defesa.

Na avaliação dos representantes de Fábio Luís, as declarações refletem a reação da empresária às críticas feitas pelo presidente e à divulgação de informações relacionadas às investigações.

A defesa também questionou procedimentos adotados durante a apuração, mencionando supostos vazamentos ilegais e alegando que determinadas medidas teriam buscado informações sobre Fábio Luís referentes a períodos anteriores ao contato de Luchsinger com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Essas alegações representam a posição da defesa e não constituem conclusão judicial sobre a regularidade dos procedimentos investigativos.

Os advogados afirmaram ainda que Fábio Luís não foi indiciado na operação do INSS e que pretende demonstrar sua inocência nos autos.

Operação Sem Desconto investiga suspeitas de fraudes no INSS

A Operação Sem Desconto apura suspeitas de irregularidades envolvendo descontos realizados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.

A investigação envolve possíveis relações entre pessoas, empresas e entidades que teriam participado de operações sob suspeita.

Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva são citados nas apurações relacionadas à suspeita de tráfico de influência, conforme as informações divulgadas pela CNN.

A eventual colaboração premiada pretendida pela empresária dependerá dos procedimentos legais aplicáveis, da avaliação das autoridades competentes e da apresentação de informações que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos.

Até o momento, não há confirmação de que Luchsinger tenha firmado um acordo de delação premiada. Também não foram apresentadas, no material divulgado sobre a entrevista, provas que permitam concluir que Lula ou seu filho tenham cometido irregularidades.

As investigações seguem sujeitas à apuração das autoridades, ao contraditório e ao direito de defesa das pessoas mencionadas.

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