Quarto colocado na disputa pelo GDF recebeu 72 mil votos no primeiro turno e afirmou que apoio não impedirá críticas à gestão de Celina
Da Redação
O ex-candidato ao Governo do Distrito Federal Kiko Caputo (Novo) anunciou apoio à reeleição da governadora Celina Leão (PP) no segundo turno da disputa pelo Palácio do Buriti. A decisão foi oficializada na quarta-feira (7), após Celina assinar uma carta com compromissos programáticos apresentados pelo Novo.
Kiko terminou o primeiro turno na quarta colocação, com 72.148 votos, equivalentes a 4,36% dos votos válidos. Celina enfrenta Leandro Grass (PT) na votação marcada para 25 de outubro.
O anúncio foi feito em vídeo gravado ao lado da governadora.
“Como líder de partido, eu não poderia me omitir diante dessa jornada eleitoral. Para mim, pro meu vice e pro presidente do meu partido não foi difícil optar por engajar na campanha da governadora Celina”, afirmou Caputo.
Apoio foi condicionado a compromissos
A aproximação não representa uma adesão sem condições à atual gestão. Kiko afirmou que continuará fazendo críticas quando considerar necessário e vinculou o apoio à convergência de propostas apresentadas durante a campanha.
Celina assinou uma Carta de Compromisso com o Distrito Federal, com 12 princípios considerados pelo Novo como fundamentais para o próximo mandato. Entre os pontos estão medidas de combate à corrupção, transparência dos gastos públicos e redução das filas na saúde.
O documento também aborda áreas como educação, segurança pública, transporte, geração de empregos, desenvolvimento das regiões administrativas, digitalização dos serviços públicos e utilização responsável de inteligência artificial.
Segundo Kiko, houve convergência entre parte das propostas defendidas pelo Novo durante o primeiro turno e projetos da atual gestão.
“Hoje a gente concluiu a assinatura de uma carta compromisso da governadora com os princípios que o partido Novo defende. A grata surpresa que a gente teve é que muitas das ideias que a gente colocou no plano de governo, o governo dela também já estava pensando ou tinha ideia de executar algo muito parecido”, declarou.
Apesar da aliança no segundo turno, Kiko indicou que o Novo manterá independência em relação ao governo.
A posição também foi apresentada publicamente pelo partido ao anunciar a decisão. O apoio foi construído a partir dos compromissos assumidos por Celina e da oposição do Novo à candidatura petista.
“Esperamos que o DF volte a prosperar de novo, e é isso que a gente sente que está no coração da governadora e é isso que ela quer apresentar agora no segundo turno. A gente torce e ora muito para que o governo da senhora dê certo e resolva os problemas da população”, afirmou Kiko.
Celina mira eleitores que não votaram no primeiro turno
Ao agradecer o apoio, Celina direcionou parte de sua mensagem aos eleitores que se abstiveram no primeiro turno.
“Muitas pessoas não foram às urnas porque não queriam votar nem em um candidato, nem em outro. Então agora temos a responsabilidade de termos avanço no desenvolvimento ou um retrocesso no Distrito Federal”, declarou.
A busca pelo apoio dos candidatos eliminados no primeiro turno e de seus respectivos grupos políticos integra a estratégia anunciada por Celina para ampliar sua votação.
A governadora terminou a primeira etapa com 825.530 votos, ou 49,93% dos válidos, enquanto Grass recebeu 569.930 votos, correspondentes a 34,47%. Celina ficou 168 votos abaixo da maioria absoluta necessária para decidir a eleição no primeiro turno.
Nikolas Ferreira também declara apoio
Celina recebeu ainda o apoio do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
O parlamentar declarou que ficará ao lado da candidata do PP na disputa contra Grass e relacionou sua decisão principalmente à oposição ao PT.
“Se o PT tá de um lado, eu estou do outro. Até vi que teve uma confusão por causa do número dela. A gente caminha ao lado dela, contra o PT”, afirmou Nikolas em entrevista.
Celina avaliou que a participação do deputado pode contribuir principalmente para a interlocução de sua campanha com o eleitorado jovem identificado com a direita.
Segundo turno amplia disputa por alianças
A adesão do Novo ocorre no momento em que Celina e Grass reorganizam os palanques para a segunda etapa da eleição.
Celina afirmou após o primeiro turno que buscaria aproximação com candidatos e grupos políticos situados no mesmo campo de sua candidatura. Kiko foi um dos primeiros adversários da primeira etapa a formalizar essa adesão.
O acordo, porém, tem uma particularidade: além do posicionamento eleitoral, o Novo vinculou publicamente o apoio à incorporação de compromissos programáticos.
Com 72.148 votos conquistados por Kiko no primeiro turno, a aliança passa agora pelo desafio de transformar o apoio partidário em adesão de eleitores — uma transferência que não ocorre automaticamente e dependerá da decisão individual de quem votou no candidato do Novo em 4 de outubro.





