População se revolta com fala de Lula sobre mulheres aprenderem a “tomar toque desde pequenas”

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Presidente fez afirmação durante comício em Belém ao comparar exames realizados por mulheres com a resistência masculina a procedimentos relacionados à próstata

Da Redação

Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, provocou críticas nas redes sociais nesta terça-feira (29). Durante um comício realizado na noite de segunda-feira (28), em Belém (PA), Lula afirmou que mulheres aprendem a “tomar toque desde pequenas” ao falar sobre a resistência de homens a exames relacionados à próstata.

A frase foi dita enquanto o presidente comentava a realização da primeira cirurgia robótica de próstata no Pará e na região Norte.

“Nós, hoje, fizemos a 1ª operação robótica de próstata aqui no Estado do Pará e no Norte do país. A 1ª operação robótica. E por que isso é importante? Porque o homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas”, declarou.

Lula prosseguiu criticando a resistência masculina ao procedimento e afirmou que homens precisam superar o receio de realizar exames preventivos.

A declaração foi reproduzida por veículos de comunicação e passou a circular nas redes sociais nesta terça-feira, recebendo críticas de usuários que questionaram principalmente a referência a mulheres “desde pequenas”.

Referência a meninas provoca críticas

Parte das críticas concentrou-se na idade mencionada pelo presidente. Publicações relacionaram a frase ao debate sobre proteção de crianças contra violência e abuso sexual e passaram a utilizar expressões como “deixem as crianças em paz”.

Também houve usuários que associaram a declaração aos temas de pedofilia e abuso sexual infantil.

Do ponto de vista médico, consultas ginecológicas de meninas e adolescentes não significam necessariamente a realização de exame pélvico interno.

Orientações do American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) estabelecem que adolescentes geralmente não precisam passar por exame pélvico interno na primeira consulta ginecológica, salvo quando existem sintomas ou alguma indicação clínica específica.

Entre as situações que podem justificar investigação estão sangramento anormal, corrimento, dor abdominal ou dor pélvica.

Em crianças pré-púberes, as recomendações são ainda mais restritivas. Diretrizes da Organização Mundial da Saúde para atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual estabelecem que exames digitais ou bimanual da vagina ou do reto não são necessários de forma rotineira e somente devem ocorrer quando houver indicação médica.

A OMS também rejeita os chamados “testes de virgindade”, incluindo o denominado “teste de dois dedos”, por não possuírem validade científica e poderem provocar danos físicos e psicológicos.

Portanto, a afirmação de que meninas necessariamente passam desde pequenas por procedimentos ginecológicos internos não corresponde às recomendações médicas para exames de rotina.

Lula fez a declaração durante ato de campanha em Belém, a menos de uma semana do primeiro turno das eleições presidenciais.

A repercussão da frase ocorre na reta final da campanha presidencial, período em que declarações dos candidatos têm sido amplamente compartilhadas e utilizadas no debate político nas redes sociais.

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