OPINIÃO: Arruda inelegível, e agora?

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Decisão do TSE mantém o indeferimento do registro do ex-governador a dez dias da eleição; pesquisas recentes colocam Celina Leão com amplo favoritismo

Por Ricardo Callado

A disputa pelo Governo do Distrito Federal sofreu uma mudança decisiva nesta quinta-feira (24). Por 5 votos a 2, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve o indeferimento do registro da candidatura do ex-governador José Roberto Arruda (PSD) ao Palácio do Buriti.

A decisão ocorre a apenas dez dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, e retira da disputa válida um candidato que vinha ocupando posições relevantes nas pesquisas eleitorais.

O julgamento confirmou a decisão tomada por unanimidade pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) no início de setembro. O entendimento predominante é de que Arruda permanece inelegível em razão das condenações por improbidade administrativa relacionadas à Operação Caixa de Pandora.

Como as urnas eletrônicas já estão lacradas, o nome e a fotografia de Arruda continuarão aparecendo para o eleitor no dia da votação. Os votos dados ao ex-governador, porém, serão anulados diante do indeferimento de sua candidatura.

O relator, ministro Dias Toffoli, votou pela manutenção da rejeição da candidatura. Acompanharam seu entendimento os ministros Ricardo Villas Bôas Cueva, Sebastião Reis Júnior, André Mendonça e o presidente do TSE, Nunes Marques.

Os ministros Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha divergiram, formando o placar final de 5 votos a 2.

A controvérsia envolvia principalmente a forma de calcular o período de inelegibilidade após as mudanças promovidas na Lei da Ficha Limpa em 2025.

A defesa sustentava que as condenações decorreriam de processos conexos e que o prazo deveria ser contado a partir da primeira condenação, registrada em 2014. O Ministério Público Eleitoral defendeu interpretação diferente e sustentou que Arruda continuava impedido de disputar a eleição de 2026.

Toffoli entendeu que, mesmo considerando a alteração legislativa, a conclusão não mudaria, porque a condenação mais recente seria suficiente para produzir a inelegibilidade.

Decisão mexe diretamente com a corrida pelo Buriti

O impacto político da decisão é significativo porque Arruda vinha concentrando uma parcela relevante do eleitorado.

A pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (23), um dia antes do julgamento, mostrou Celina Leão (PP) com 33%, Leandro Grass (PT) com 21% e Arruda com 17%. O levantamento ouviu 1.104 eleitores entre 19 e 22 de setembro e tem margem de erro de três pontos percentuais.

Outra pesquisa recente, Correio/Opinião Inteligência Política, realizada entre 17 e 19 de setembro, apresentou cenário diferente. Considerando os votos válidos e com Arruda na disputa, Celina registrava 39,9%, Arruda 24,9% e Grass 20,9%. Arruda e Grass estavam tecnicamente empatados considerando a margem de erro de 3,1 pontos percentuais.

Esses números ajudam a dimensionar o efeito da decisão: uma parcela expressiva do eleitorado que indicava voto em Arruda passa a ser disputada pelos demais candidatos na reta final da campanha.

Não é possível afirmar antecipadamente para onde esses votos migrarão. Pesquisas realizadas antes da decisão, porém, já testaram cenários sem o ex-governador.

Celina chegou a 49% dos votos válidos em cenário sem Arruda

Na pesquisa Correio/Opinião realizada entre 17 e 19 de setembro, o cenário sem Arruda colocou Celina Leão com 49% dos votos válidos. Leandro Grass apareceu com 25,8% e Paula Belmonte com 12,8%.

Os 49% colocavam Celina próxima dos mais de 50% dos votos válidos necessários para uma vitória no primeiro turno.

Outra pesquisa, do Real Time Big Data, realizada entre 4 e 8 de setembro, também simulou a ausência de Arruda. Nesse levantamento, Celina tinha 46% das intenções de voto, Grass 23%, Paula Belmonte 10% e Ricardo Cappelli 5%.

Os levantamentos foram realizados antes da decisão definitiva desta quinta-feira e, portanto, não medem a reação dos eleitores à saída efetiva de Arruda da disputa válida.

A retirada da candidatura de Arruda também modifica a posição de Leandro Grass na corrida eleitoral.

Na Quaest divulgada nesta semana, o candidato do PT já aparecia numericamente à frente do ex-governador: Grass tinha 21%, contra 17% de Arruda, enquanto Celina liderava com 33%.

A nova configuração aumenta a importância da disputa pelos eleitores que declaravam voto no candidato do PSD. Parte desse eleitorado poderá escolher outro candidato, votar em branco ou nulo ou ainda manter o voto em Arruda, que será anulado caso a situação jurídica permaneça como definida pelo TSE.

Por isso, pesquisas realizadas após o julgamento serão importantes para medir como o eleitorado absorveu a mudança.

Uma eleição diferente a dez dias das urnas

A decisão do TSE chega no momento mais sensível da campanha.

Durante meses, Arruda participou da disputa eleitoral, apareceu nas pesquisas e chegou, em levantamentos anteriores, a disputar as primeiras posições. Em agosto, por exemplo, pesquisa Datafolha mostrava Celina com 30% e Arruda com 28%, tecnicamente empatados dentro da margem de erro.

O cenário mudou ao longo de setembro. Celina ampliou sua votação em pesquisas posteriores, enquanto Grass avançou e Arruda perdeu espaço. Agora, com o registro do ex-governador indeferido pelo TSE, a eleição entra nos últimos dez dias sob uma configuração diferente daquela que marcou boa parte da campanha.

Os números disponíveis até agora mostram Celina Leão na liderança. Também mostram que, em simulações anteriores sem Arruda, Leandro Grass aparecia em segundo lugar e Celina se aproximava, em pelo menos um levantamento, da maioria absoluta dos votos válidos.

Isso não permite antecipar o resultado de 4 de outubro.

A decisão de 5 a 2 do TSE, entretanto, produz um fato político concreto: milhares de eleitores que até agora indicavam preferência por José Roberto Arruda terão de decidir se migram para outro candidato, anulam o voto ou mantêm uma escolha que não produzirá voto válido.

A partir de agora, essa movimentação pode se tornar uma das questões centrais da reta final da eleição para o Governo do Distrito Federal.

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