Rollemberg realiza reunião às pressas, não prepara cronograma, mas pede que servidores aguardem para receber reajustes em janeiro de 2016.
Por Kleber Karpov – O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) se reuniu com representantes de sindicatos na tarde desta segunda-feira (14). Ele pediu a intervenção das entidades junto aos servidores públicos, para tentar evitar paralisações e greves a partir de outubro, uma vez que o GDF corre o risco de não conseguir pagar os salários dos servidores da Saúde e Educação. Os sindicatos devem se reunir hoje para definir possíveis encaminhamentos, mas a julgar pela insatisfação, a greve pode ser um caminho sem volta.
Embora Rollemberg tenha se reunido separadamente com sindicatos ligados à Educação e à Saúde, após repassar as dificuldades do GDF, por ter ultrapassado o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), além de não conseguir aumentar a arrecadação suficiente para subsidiar o impacto dos reajustes de cerca de 130 mil servidores da saúde, o governador pediu que os representantes das entidades sindicais conseguissem a compreensão por parte dos servidores públicos.
Entre as principais propostas apresentadas por Rollemberg aos sindicatos estão os adiamentos para janeiro de 2016 de:
- Reajuste concedido aos servidores pelo ex-governador Agnelo Queiroz (PT), que deveriam ser incorporado em setembro – com início de pagamento no quinto dia útil de outubro;
- Reajuste relativo a redução de carga horária aos servidores da Saúde;
- Reajuste dos orientadores da Carreira do Magistério Público do DF;
- Dos pagamentos das Licenças-prêmios, entre outros.
Mas quanto governador?
Rollemberg não soube precisar em que condições e em que datas tais valores começariam a ser pagos em 2016. O governador apenas se comprometeu a providenciar a definição de um calendário com cronograma de datas de pagamentos dos valores, a serem apresentados aos sindicatos, em outra reunião a ser realizada com os sindicatos na segunda-feira (21).
Educação: mais o mesmo
De acordo com o diretor de imprensa do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF), Cleber Ribeiro Soares, o GDF apresentou mais do mesmo. “Na reunião o governador reafirmou o que disse no fim de semana à imprensa, que não tem dinheiro, não houve arrecadação o suficiente para resolver os problemas de reajuste das várias categorias agora de setembro”, afirmou.
“Dissemos que não há a menor possibilidade de assumir tal compromisso, caso haja atraso [em outubro] do reajuste de setembro. Fizemos uma retrospectiva desde o início do ano em que o Governador pediu que se parcelassem os salários, para tentar reequilibrar as contas. Se passado esse tempo todo, o governo não conseguiu fazer com que esse reequilíbrio acontecesse, a reação da categoria será dura”, afirmou.
Saúde
O presidente do Sindicato dos Médicos do DF, Guttemberg Fialho, por sua vez, cobrou que Rollemberg apresente uma agenda “concreta”. Segundo Fialho: “Sabemos que o governo enfrenta dificuldades, mas não podemos ficar sem um compromisso concreto para com os servidores. O governo se compromete a honrar com o compromisso, mas quando? Queremos uma data concreta”, afirmou.
Para o vice-presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem, Jorge Vianna, “as propostas do governo são duras, penaliza os servidores que já tem sofrido com o atraso das horas-extras, o ‘adiamento’ da licença-prêmio. O governador propôs adiamento, mas não definiu um cronograma e tão pouco as datas. Queremos saber do governo qual é a proposta concreta para depois a levarmos para a categoria. Aí sim tomaremos uma decisão”, disse Vianna.
Movimento Unificado define estratégia de ação
As entidades sindicais têm realizado movimentações, desde julho, em relação à possibilidade de atrasos ou não pagamento de reajustes do salário se setembro, a ser pago em outubro, a exemplo do SindMédico-DF, que está em estado de greve, há mais de dois meses. No entanto, como os atrasos afetam todos os servidores públicos do DF da Saúde e da Educação, o Movimento Unificado em Defesa do Servidor Público, que representa 33 categorias, deve analisar em conjunto hoje, às 16h, as propostas apresentadas pelo governo e os caminhos a serem trilhados pelas entidades.




