Colaborador entrega conversas em que empresário cita ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde; agenda oficial não registra reunião com empresa de maconha medicinal
Da Redação
A Polícia Federal recebeu de um colaborador uma série de mensagens do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, nas quais ele menciona o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Swedenberger Barbosa, o Berger. Parte das mensagens são conversas individuais do Careca do INSS com um interlocutor, e outras são de um grupo da Cannabis World, empresa de maconha medicinal do Careca.

Numa das conversas, o Careca encaminha ao interlocutor mensagem de uma terceira pessoa, segundo a qual Berger “já está com aquela orientação em mãos”. “Show”, responde o interlocutor. O diálogo é do dia 6 de novembro de 2024, quando Berger ainda estava no Ministério da Saúde. Numa outra mensagem, no grupo da Cannabis World, o Careca informa sobre “reunião com Berger às 10:30”. A mensagem foi enviada no dia 19 de dezembro de 2024.
A agenda oficial de Berger naquele mês não inclui nenhuma reunião com o Careca ou com outro representante da Cannabis World. Um colaborador da PF que trabalhou com Antônio Carlos disse que ele mencionava com frequência o nome de Berger como um contato seu dentro do Ministério da Saúde.
No começo de 2025, Swedenberger deixou o Ministério da Saúde e passou a trabalhar no Palácio do Planalto. Atualmente, ocupa o cargo de Chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal do Presidente. O Gabinete Pessoal tem por missão prestar assistência direta e imediata ao Chefe do Poder Executivo no desempenho de suas atribuições, segundo o Planalto.
Berger era próximo também da lobista Roberta Luchsinger, que tinha clientes em comum com o Careca na atividade de lobby, inclusive no Ministério da Saúde, e recebeu pagamentos dele.
Segundo pessoas que conviveram com ela na pasta, Roberta se reunia com frequência com Berger e alegava ter influência sobre a liberação de recursos da Saúde para estados e municípios. A Presidência considerou a demissão de Berger, mas decidiu mantê-lo no cargo e aguardar o avanço das apurações.





