Grupo investigado pela PCDF teria movimentado R$ 32 milhões e distribuído produtos para oito estados
Brasília, 12 de agosto de 2026 — Quarenta e três pessoas foram presas pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), suspeitas de integrar uma organização criminosa responsável pela fabricação clandestina e distribuição de anabolizantes para diferentes regiões do país. Segundo as investigações, o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 32 milhões.
A Operação Narciso, coordenada pela Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf), cumpriu mandados contra integrantes apontados como líderes, responsáveis pela logística e intermediários financeiros do esquema.
Ao todo, foram expedidas 45 ordens de prisão e 50 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas. As determinações judiciais também permitiram que as medidas fossem cumpridas nos locais onde os investigados fossem encontrados.
A Justiça determinou ainda o bloqueio de mais de R$ 32 milhões em contas bancárias e instituições financeiras relacionadas aos suspeitos e às empresas vinculadas ao grupo.
Também foram sequestrados 11 veículos de luxo, incluindo carros elétricos, esportivos, caminhonetes, um SUV e uma motocicleta de alta cilindrada. A decisão permite ainda a apreensão de outros bens de valor significativo encontrados durante as buscas.
Produção clandestina
De acordo com a PCDF, os investigados fabricavam substâncias hormonais, diuréticos e estimulantes em condições precárias, utilizando residências e depósitos improvisados. Os produtos eram produzidos sem controle adequado de esterilidade, pureza ou segurança sanitária.
Para tentar conferir aparência de legitimidade às mercadorias, os responsáveis utilizavam embalagens com nomes estrangeiros e bandeiras de outros países. Segundo a investigação, os rótulos simulavam produtos importados de laboratórios que não existiam ou imitavam marcas conhecidas no mercado.
No Distrito Federal, os investigadores identificaram estruturas utilizadas para fabricação e armazenamento dos produtos, além de academias relacionadas à divulgação dos anabolizantes e uma gráfica responsável pela produção das embalagens.
Em Goiás, as ações policiais envolveram depósitos localizados na divisa com o DF, utilizados para recebimento de insumos, uma farmácia de manipulação apontada como integrante do esquema e movimentações financeiras relacionadas à organização.
Na Paraíba, a investigação identificou um laboratório filial em João Pessoa. A estrutura funcionava em uma mansão alugada e em uma residência de alto padrão localizada à beira-mar, ligada a um dos líderes do grupo.
Segundo a polícia, familiares e uma pessoa que atuava como parceira local auxiliavam no recebimento de insumos enviados do exterior por meio do serviço postal.
A organização também mantinha conexões em Foz do Iguaçu, no Paraná, onde uma fornecedora localizada na região de fronteira e o marido dela seriam responsáveis pela distribuição das substâncias para outros estados.
A rede investigada alcançava ainda Rio Branco, no Acre, e Uberlândia, em Minas Gerais. Conforme a PCDF, esses municípios eram utilizados tanto para a distribuição dos produtos quanto para a ocultação de patrimônio dos investigados.
Investigação
A Operação Narciso começou após uma apreensão realizada na residência de um suspeito apontado como líder de um dos núcleos da organização. O celular encontrado no imóvel continha diversas mensagens que, segundo os investigadores, ajudaram a revelar a estrutura e a divisão de funções entre os diferentes integrantes do grupo.
As investigações buscam esclarecer a participação individual dos envolvidos e identificar outros possíveis integrantes da organização criminosa.





