Lobista amiga de filho de Lula registrou 42 acessos a órgãos federais

spot_img
Mais em

Levantamento com base na Lei de Acesso à Informação aponta que 41 visitas entre o início do terceiro mandato e abril de 2024 não constaram das agendas oficiais de autoridades

Da Redação

Registros de acesso a órgãos do governo federal indicam que a lobista Roberta Luchsinger realizou 42 visitas a instituições públicas entre o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e abril de 2024. Desse total, 41 não constam das agendas oficiais dos agentes públicos, conforme levantamento baseado na Lei de Acesso à Informação. O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça autorizou a Polícia Federal a aprofundar investigações sobre possível tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e Luchsinger.

Em pelo menos duas ocasiões, a lobista esteve acompanhada de Fernando Bittar, então sócio de Lulinha, no Palácio do Planalto e no gabinete do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias. Os encontros não foram registrados nas agendas oficiais. Em abril de 2024, ambos permaneceram cerca de 50 minutos no ministério, onde, segundo a pasta, discutiram propostas sobre sistemas integrados. A pasta informa que não houve desdobramentos administrativos.

O gabinete de Wellington Dias recebeu 17 visitas de Luchsinger. Em 9 de março de 2023, ela entregou ao ministro uma caixa de bombons suíços Sprüngli e uma edição de colecionador autografada de O Alquimista, de Paulo Coelho. O cerimonial registrou o momento em fotos, mas a agenda oficial não. Quatro visitas contaram com a presença de Efrain Saavedra, gerente comercial da Duosystem.

Cinco dias após encontro em 30 de março de 2023, o ministério firmou contrato de R$ 31 milhões com a 3STRUCTURE IT, empresa de Cleber Ribas de Oliveira, com quem a Polícia Federal identificou relação comercial com Luchsinger. No Ministério da Saúde, Luchsinger realizou 16 visitas não oficiais e uma registrada.

Na visita oficial, em outubro de 2023, apresentou software de gestão de leitos da Duosystem à Secretaria de Atenção Primária. Fora da agenda, reuniu-se com o então secretário-executivo Swedenberger Barbosa na companhia de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

O tema abordado foi a comercialização de medicamentos à base de canabidiol pela World Cannabis. A Polícia Federal apura possível intervenção de Lulinha em autorizações governamentais nessa área e se valores pagos a Luchsinger, cuja empresa RL Consultoria recebeu R$ 1,5 milhão de Antunes, tiveram o filho do presidente como beneficiário.

Em conversas apreendidas, o empresário menciona repasse de R$ 300 mil “para o filho do rapaz”. Luchsinger também acompanhou Sergio Roberto Bringel, do Grupo Bringel, em três visitas ao Planalto, incluindo o gabinete de Alexandre Padilha, e à Saúde. Empresas do grupo firmaram contratos de R$ 7,8 milhões na pasta desde 2023, com destaque para R$ 3 milhões com o Grupo Hospitalar Conceição.

No BNDES, em julho de 2023, ela esteve no gabinete de Aloizio Mercadante acompanhando a Unigel em discussão sobre hidrogênio verde. Apresentou-se como namorada do diretor de relações governamentais e nora do presidente do conselho da companhia. A Unigel desmente parentesco e qualquer contrato com ela.

A Secretaria de Comunicação da Presidência afirma que os encontros no Planalto não produziram desdobramentos administrativos, contratuais ou regulatórios. As defesas de Luchsinger e de Lulinha sustentam que se trata de atividade profissional regular e que não houve pagamentos ao filho do presidente. Fernando Bittar não se pronunciou.

 

Últimas Notícias