Pesquisa Anual de Comércio do IBGE mostra que o varejo concentra 74,6% dos empregos e 77% das unidades locais com receita de revenda na capital
Da Redação
O comércio do Distrito Federal registrou receita bruta de R$ 132,2 bilhões em 2024, segundo a Pesquisa Anual de Comércio divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Dos 164,6 mil trabalhadores ocupados pelas empresas comerciais, 74,6% estavam no varejo. O segmento também respondeu por 19,2 mil das 24,9 mil unidades locais com receita de revenda existentes no DF, o equivalente a 77% do total.
O presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, afirmou que os números confirmam a relevância do comércio varejista. “O varejo reúne aproximadamente três em cada quatro empregos e estabelecimentos comerciais do setor. Isso demonstra sua presença em todas as regiões administrativas e sua importância na geração de renda, oportunidades e serviços para a população”, disse.
Do total movimentado pelo comércio brasiliense, R$ 56,7 bilhões (42,9%) foram gerados pelo varejo. O comércio atacadista respondeu por R$ 56 bilhões (42,4%), enquanto o segmento de veículos automotores, peças e motocicletas alcançou R$ 19,5 bilhões (14,7%).
A margem de comercialização das empresas do DF atingiu R$ 26,7 bilhões. O varejo concentrou R$ 15,7 bilhões desse montante, seguido pelo atacado, com R$ 8,3 bilhões, e pelo comércio de veículos, peças e motocicletas, com R$ 2,7 bilhões.
Os gastos das empresas comerciais com salários, retiradas e outras remunerações chegaram a R$ 5,1 bilhões. Desse total, R$ 3,4 bilhões foram pagos pelo varejo, R$ 1 bilhão pelo atacado e R$ 650 milhões pelo segmento automotivo.
O Distrito Federal respondeu por 14,2% da receita bruta de revenda do Centro-Oeste, a menor participação entre as unidades da região. Em âmbito nacional, o Centro-Oeste representou 11,1% da receita do comércio brasileiro, à frente da Região Norte (5,4%).
A remuneração média paga pelas empresas comerciais do DF foi equivalente a 1,7 salário mínimo por trabalhador, o mesmo patamar de Goiás e o menor resultado do Centro-Oeste. Mato Grosso apresentou a maior média regional, de 2,1 salários mínimos, seguido de Mato Grosso do Sul, com 1,8.
José Aparecido Freire destacou que a ampliação da remuneração deve estar associada ao crescimento sustentável da atividade econômica. “O desafio é transformar essa força de mais de R$ 132 bilhões em ganhos crescentes de produtividade, qualificação dos postos de trabalho e melhores condições de remuneração. Para isso, é necessário fortalecer as empresas, estimular a inovação, investir na formação profissional e construir negociações coletivas equilibradas”, afirmou.
O presidente ressaltou ainda fatores que limitam a capacidade de investimento do setor, como juros elevados, carga tributária, encargos sobre a folha, burocracia, insegurança jurídica e margens reduzidas.
A Pesquisa Anual de Comércio é realizada desde 1996. O IBGE alerta que os resultados de 2024 não são diretamente comparáveis aos de anos anteriores, devido a mudanças nos critérios usados para classificar empresas inativas, o que provocou uma quebra na série histórica.




