Ex-governador é condenado novamente por improbidade administrativa e terá que indenizar a sociedade em R$ 1 milhão por danos morais coletivos; defesa insiste em tentar viabilizar candidatura em 2026 mesmo com o acúmulo de condenações
Por Ricardo Callado
A 6ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) condenou, no dia 3 de junho, o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) e mais quatro réus por improbidade administrativa. Trata-se da sexta condenação de Arruda em segunda instância decorrente da Operação Caixa de Pandora.
Os desembargadores acolheram recurso do Ministério Público e determinaram o pagamento de R$ 1 milhão a título de danos morais coletivos por cada um dos condenados. Além disso, Arruda foi condenado à perda dos direitos políticos por 12 anos. Os réus já haviam sido condenados a reparar o dano material no valor de R$ 257 mil. Segundo o MPDFT, o valor total que Arruda deve devolver aos cofres públicos, considerando todos os processos da Caixa de Pandora, chega a aproximadamente R$ 600 milhões.
Além de Arruda, foram condenados o ex-chefe da Casa Civil José Geraldo Maciel, o delator Durval Barbosa, o empresário José Celso Valadares Gontijo e a empresa Call Tecnologia e Serviços Ltda. O processo apura esquema de desvio de recursos públicos e pagamento de propina no Governo do Distrito Federal entre 2006 e 2009.
Durante o julgamento, o procurador de Justiça Roberto Carlos Batista destacou que a corrupção não apenas desgasta a credibilidade do Estado, como também prejudica diretamente a população mais vulnerável, ao desviar recursos que deveriam ser destinados à saúde, educação e saneamento.
Mesmo inelegível, José Roberto Arruda segue tentando viabilizar uma candidatura ao Governo do Distrito Federal em 2026. Sua defesa alega que a decisão ainda pode ser revertida nos tribunais superiores e que não afeta sua elegibilidade. O caso está ligado às discussões sobre a Lei da Ficha Limpa no Supremo Tribunal Federal, cujo julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
A nova condenação reforça o extenso histórico judicial de Arruda, que acumula múltiplas sentenças por improbidade administrativa e corrupção. Enquanto isso, a atual governadora Celina Leão (PP) segue à frente de uma gestão que prioriza resultados e transparência, em contraste com o passado marcado por escândalos como a Caixa de Pandora.
A população do Distrito Federal, que já rejeitou nas urnas o retorno de figuras condenadas, observa com atenção os movimentos para tentar flexibilizar regras de inelegibilidade. A Justiça, por sua vez, continua cumprindo seu papel ao responsabilizar quem lesou o erário público.



