Representante comercial dos EUA detalha investigação sobre comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal; medida deve entrar em vigor até 15 de julho, após audiência marcada para o dia 6
Da Redação
O Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs a aplicação de uma tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros. A decisão, publicada na segunda-feira (1º), busca compensar o que o órgão classifica como “atos, políticas e práticas incoerentes” que oneram ou restringem o comércio americano.
A lista de produtos que ficarão isentos da tarifa adicional tem 73 páginas e inclui itens já liberados do tarifaço americano no ano passado, como aviões, suco de laranja e café. O documento detalha os resultados da investigação sobre comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal no Brasil.
As medidas corretivas devem entrar em vigor até o dia 15 de julho, conforme prazo legal dos EUA. Uma audiência pública sobre as ações propostas está marcada para o dia 6 de julho.
O representante comercial americano, Jamieson Greer, informou que ele e o presidente Donald Trump realizaram diversas reuniões com o presidente Lula e seu gabinete ao longo do último ano. Apesar do diálogo intensificado nas últimas semanas, as partes não chegaram a um consenso sobre a resolução das questões identificadas.
O USTR informou ter colhido depoimentos de 30 testemunhas e recebido mais de 295 comentários e réplicas durante a investigação. Entre os pontos destacados estão ordens judiciais secretas a plataformas americanas de mídia social (X, Meta e Google) para remoção de conteúdos políticos, tratamento preferencial a produtos do México e da Índia, e insuficiência de medidas contra corrupção, falsificação, pirataria e proteção de patentes biofarmacêuticas.
Sobre o etanol, o órgão afirma que o Brasil interrompeu abruptamente em 2017 o tratamento equilibrado para as exportações americanas do produto. Quanto ao meio ambiente, o USTR considera que o desmatamento ilegal persiste e que o Brasil não aplica de forma efetiva o marco legal de proteção.




