INTELIS realiza seminário sobre inteligência de estado na democracia

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Evento promovido pelo sindicato dos servidores da ABIN, com apoio da UNIPOP, discute histórico dos serviços de inteligência e propõe alternativas para atuação alinhada ao Estado Democrático de Direito, com palestras de ex-ministros e dirigentes históricos da esquerda brasileira

Da Redação

O Seminário Estratégico de Inteligência de Estado na Democracia, promovido pelo INTELIS – sindicato dos servidores da ABIN, ex-SNI – e com apoio da UNIPOP, Universidade Popular, avaliou o histórico dos serviços de inteligência brasileiros e propôs medidas para alinhar a atividade ao Estado Democrático de Direito. O evento, realizado recentemente, gerou repercussão nas redes sociais, com elogios de usuários de esquerda e críticas de militantes de direita, especialmente militares da reserva.As principais discussões envolveram quatro palestrantes: os ex-ministros José Dirceu e Ricardo Berzoini, o ex-deputado José Genuíno e o ex-vereador e ex-secretário de Estado Acilino Ribeiro.

Os quatro têm trajetória marcada por ações contra o Regime Militar (1964-1985). Dirceu, Genuíno e Acilino atuaram na luta armada e foram treinados por serviços de inteligência de outros países, conforme documentos dos órgãos de repressão da época. Berzoini destacou-se como líder sindical e participou de greves e manifestações que contribuíram para o fim do regime.

Durante as palestras, José Dirceu defendeu uma nova política de inteligência voltada para a defesa e a segurança nacional, com orçamento adequado e nova doutrina de ensino nas áreas militar e civil. José Genuíno defendeu uma ABIN que não busque inimigos internos, maior participação da sociedade e transparência, preservando o caráter secreto da atividade, além de sugerir a denúncia do acordo militar que cedeu a Base de Alcântara aos Estados Unidos. Ricardo Berzoini citou ações do ex-SNI durante a redemocratização e o envolvimento de empresários no financiamento da repressão. Acilino Ribeiro criticou o monitoramento sofrido pelo ex-SNI e propôs a criação de disciplinas de Inteligência e Contrainteligência em cursos universitários, rompimento de acordos com a CIA e o Mossad, e maior aproximação da ABIN com os serviços de inteligência dos países do BRICS.

Os servidores da ABIN, representados pelo INTELIS, consideraram o evento positivo para o avanço na democratização da atividade. Participantes relataram satisfação com os resultados e afirmaram que o seminário quebrou paradigmas. Nas redes sociais, comentários de esquerda elogiaram a iniciativa, enquanto militantes de direita questionaram a escolha dos palestrantes.De acordo com a diretoria do INTELIS, mais dois fóruns sobre o tema estão previstos para este ano: um voltado para professores e estudantes universitários e outro para movimentos sociais e sindicais. A entidade anunciou a realização de novos eventos em parceria com a sociedade civil.

 

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